Crítica | Quarteto Fantástico (Fantastic Four, 2015)

Já se temia o pior quando ficamos sabendo dos boatos depois confirmados que o diretor deste filme, o jovem Josh Trank, havia sido despedido de seu próximo projeto, um dos longas da serie “Star Wars”, por causa da ma repercussão de seu trabalho neste filme, tendo um conflito direto com o produtor Simon Kinberg e um comportamento durante estas filmagens que foi chamado de “erratic” (traduzido como irregular ou instável). Na verdade, quando o estúdio se deu conta da besteira que o sujeito fez era tarde demais para mudar, ao menos tentaram salvar o próximo projeto (ele tinha feito antes apenas um filmeco meio amador chamado “Poder sem Limites”).

Afinal este é o pior filme da atual leva de longas baseados nos quadrinhos da Marvel Cmics, inferior mesmo ao irregular “Homem-Formiga”, a tal ponto que no final do filme não teve nem aquelas ceninhas onde ao menos o Stan Lee aparecia fazendo gracinhas. Muito pior também que os dois filmes anteriores pela Fox, que eram ao menos divertidos e despretensiosos (na verdade, assim em retrospecto melhoram muito): o homônimo “Quarteto Fantástico”, de 2005, e o “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado” (07).

Na verdade, tenho dificuldade de encontrar alguma coisa que preste neste equívoco total. Os efeitos especiais são ridículos, por vezes usando miniaturas, lembrando fitinhas dos anos 50 do gênero. Na verdade, desde o começo da trama fiquei com a impressão de que parecia um desses telefilmes de orçamento reduzido onde tudo tem um enquadramento banal e poucos recursos. Na verdade, este aqui pretende ser o que chamam de “ Origins” (como fizeram com o Wolverine), mostrando como eles surgiram e se tornaram os heróis que já conhecemos: O Coisa, Johnny Storm, Sue Storm e o Sr. Fantástico ou Homem Elástico.

São dois garotos amigos, um deles Reed, depois o Homem Elástico, um brilhante inventor que acaba sendo descoberto por um órgão do governo para quem ele cria uma forma de visitar um planeta desconhecido – teletransportar ele diz – em busca de novas energias. E voltam de lá transformados, sendo um deles que vai virar o vilão Dr. Doom (este vivido por um ator que não conhecia, Toby Kebbel, mais um britânico que esteve antes sem chamar a atenção em “Príncipe da Pérsia”, “Fúria de Titãs 2”, “Rock n´rolla”, “Planetas dos Macacos, o Confronto”, “Cheri”) e faz Messala no próximo remake de “Ben-Hur”.

O governo é retratado de forma caricata (o chefe deles fica mascando um chiclete!) e mesmo os atores quando comprovadamente bons, como já provou Milles Teller, estão mal dirigidos e conduzidos, ou neutros, a exemplo de Kate Mara (que na vida real é irmã de Rooney Mara). Mas é a incompetente direção que é a responsável por esta decepção. Mal dizendo, quem é culpado é o incompetente que o contratou e deixou livre para cometer esta bobagem.

EUA, 2015. 100 min. Direção de Josh Trank. Com Miles Teller, Kate Mara, Michael B. Jordan, Jamie Bell, Toby Kebbel, Reg. E. Cathey, Tim Blake Nelson.

Estreia no Brasil: 06/08/2015. 

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977. Recebeu uma estrela na Calçada da Fama do Cine Roxy, em Santos, em 2013 e participou como convidado de eventos promovidos pelo CineZen.

One thought on “Crítica | Quarteto Fantástico (Fantastic Four, 2015)

  1. Rubens, não tem como discordar de você desta vez. Exceto, que talvez a culpa não seja inteiramente do diretor, pois rolam boatos de que o estúdio tentou modificar o roteiro muitas vezes, o que possivelmente tenha levado a um desastre ainda maior…

    Bem, não sei qual versão da estória é a verídica. Só sei que assisti o filme no cinema e saí de lá extremamente decepcionado. Uma PORCARIA! rs.

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