Crítica | Divertida Mente

Pressionada pelas críticas que acusaram a Pixar de ter se tornado comercialmente, no pior sentido da palavra (como em “Aviões”), fazendo continuações e trabalhos menores, fez com que o estúdio se esforçasse em recordar seus bons tempos, quando a cada semestre apresentava histórias originais e diferentes, que acabaram se tornando clássicos da Animação. Filmes como a trilogia “Toy Story”, “Procurando Nemo”, “Monsters Inc”, “Os Incríveis”, “Up Altas Aventuras”, “Wall-E”, “Ratatouille”. O diretor principal Docter fez antes o “Up” e o primeiro “Monstros”. Carmen é estreante.

Este novo filme – é o décimo quinto da Pixar – tem sido recebido com entusiasmo pela crítica, mas me deixou com uma preocupação. A gente nunca sabe o que as crianças vão pensar e sentir, ainda mais hoje em dia quando já são criadas diante da TV assistindo séries de animação e decorando todos os longas (que assistem até cansar). Não me parece que seja filme para criança, adulto pode curtir, mas a trama e a situação deve parecer confusa para eles. Por que se trata de uma situação estranha a elas. Afinal quem são essas vozes e pessoas que ficam falando na cabeça da gente, ou das crianças (a sequência com adultos é muito curta e já vista no trailer!). Quer dizer que é normal ouvir vozes e não mais sinal de loucura!?

Achei esquisito mesmo para adultos e bem menos engraçado do que os colegas. Riley é uma garota que saiu do Meio Oeste e se mudou para San Francisco, onde tem que administrar seus sentimentos na nova escola e vida em San Francisco e fazer o melhor uso das emoções (Alegria, Medo, Raiva, Tristeza e “Disgust” que pode ser traduzido como Repugnância, Nojo). Sem ela perceber há um grupo de variadas pessoas que ficam lhe dando conselhos no que seria supostamente engraçado – dizem que os roteiristas consideraram 27 emoções, porém preferiram se fixar nessas, sobrando algumas como Surpresa, Orgulho, Confiança. Cada emoção é baseada numa forma: Alegria é uma estrela, Tristeza é uma lágrima, Medo é um nervo exposto e Nojo é brócolis! (verdura que em geral a criança americana desgosta). E segundo o diretor Docter, a inspiração veio ao observar a filha passar por essa fase difícil do crescimento. O desenhista de produção Ralph Eggleston levou cinco anos e meio trabalhando no conceito visual do projeto, que é cheio de criatividade, por exemplo, quando a heroína fica perturbada com alguma coisa, o filme fica ligeiramente fora de foco.

Portanto esta animação é quase experimental na sua tentativa de ser entendida por crianças e adultos.

EUA, 2015. 94 min. Direção de Peter Docter e Ronaldo Del Carmen.

Estreia no Brasil: 18/06/2015. 

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977. Recebeu uma estrela na Calçada da Fama do Cine Roxy, em Santos, em 2013 e participou como convidado de eventos promovidos pelo CineZen.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *