O Franco Atirador, de Pierre Morel

Embora a gente saiba bem que hoje em dia ninguém tem memória mais de coisa alguma, é sempre ruim repetir um título, ainda mais quando o anterior se tratou de um filme super premiado como foi o “Franco Atirador” de Michael Cimino, com Robert De Niro e Meryl Streep (78). Na verdade, esta é mais uma daquelas produções francesas com astros internacionais – curiosamente se for procurar na ficha vai encontrar Joel Silver e Penn como coprodutores, além do Studio Canal e Canal Plus (canal por assinatura mais poderoso da França), a catalã Nostromo, e que curioso, até mesmo o Amazon Instant Video. Penn ainda co-assinou o roteiro ao lado de Don MacPherson (britânico de “Absolute Beginners”) e Pete Travis (diretor de “Dredd”, “Ponto de Vista”) baseado no livro “The Prone Gunman”, do francês Jean-Patrick Manchette. Mais importante é a realização assinada por Pierre Morel, que fez a origem desse tipo de filme (“Busca Implacável” com Liam Neeson , 08) e antes disso como fotógrafo (“Carga Explosiva”, “Rogue”).

Nada disso esconde porém dois problemas fundamentais. 1) Sean Penn, nesta sua primeira investida europeia, está longe de ter a figura cheia de credibilidade e firmeza de Neeson. Sua aparência está mais para uma presença amarga e desiludida, nunca escondendo que tem problemas com o alcoolismo, com o rosto vincado, além de certo estupor como se não quisesse estar ali mas em outra parte; 2) a história está longe de ser original e surpreendente.

Em contraponto, parece que foi Penn quem exigiu um elenco de apoio de qualidade, chamando por exemplo o ator de teatro Rylance (que faz Cox), o premiado e sempre bem vindo Javier Bardem, outro britânico, o selvagem Ray Winstone, e o excelente Idris Elba, de família que veio de Sierra Leone para a Inglaterra e estrelou a série de TV “Luther”, com excepcional carisma. Penn faz esse sniper Terrier (franco atirador), mercenário que trabalha para um cliente desconhecido e mata o ministro das minas do Congo. Precisa fugir e se esconder, tendo que abandonar sua namorada. Anos depois retorna ao Congo, onde passa a ser caçado por um grupo de assassinos profissionais. É obrigado então a procurar os antigos colegas.

Este “Franco Atirador” que traz evidentes sinais de ambição de ser também um thriller político, foi pessimamente recebido, onde já foi considerado o pior do ano, aborrecido e previsível, e não rendeu mais do que 10 milhões de dólares (custou 40) e, por enquanto, não teve retorno de outros lugares. Rodado em Barcelona, Capetown, Londres, também é prejudicado pela falta de humor, que ajuda a lhe tirar qualquer o que se costuma ter de melhor os filmes de ação, não fazem sentido, mas entretém e são passatempo para a plateia masculina. Este aqui nem isso.

Ficha técnica: EUA/França, 15. 115 min. Direção de Pierre Morel. Com Sean Penn, Idris Elba, Jasmine Trinca, Javier Bardem, Mark Rylance, Ray Winstone, Peter Franzen.

Estreia no Brasil: 07/05/2015.

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977. Recebeu uma estrela na Calçada da Fama do Cine Roxy, em Santos, em 2013 e participou como convidado de eventos promovidos pelo CineZen.

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