Nos Bastidores da Fama, de Gina Prince-Bythewood

Como é filme para o publico negro norte-americano e o fim da locadora tornou ainda mais difícil o acesso da classe popular, é uma pena que parece fadado ao fracasso. Mas tem várias qualidades começando com a diretora Gina Prince-Bythewood,  que se revelou em Sundance com “Além dos Limites” (o pouco visto aqui “Love & Basketball”), depois fez muita série de tevê, escreveu roteiros, dirigiu o prestigioso “A Vida Secreta das Abelhas” (06, com Queen Latifah, Jennifer Hudson).

Este projeto aqui ia ser da Sony que saiu fora quando a diretora insistiu em colocar no papel central a atriz inglesa chamada Gugu, que ainda é desconhecida no Brasil onde não foi exibido o filme que a revelou: é uma mulata inglesa, filha de inglesa enfermeira com doutor sul-africano. Apareceu no fracasso “Larry Crowne”, com Tom Hanks, no bobinho “Estranho Thomas”, e no recente e pavoroso “O Destino de Júpiter”.

Mas o filme bom foi mesmo “Belle” (2013), onde ela fazia a história real da única negra que na Inglaterra do século 18 se tornou uma aristocrata, por ser filha  de um almirante da Marinha. A moça talentosa também canta todas as músicas da trilha com sua própria voz, inclusive aquela que surpreendentemente foi indicada ao Oscar, “Grateful”, composta por Diane Warren – foi pouco divulgada aqui mesmo na época do Oscar, mas é uma boa canção e foi também destacada por outras organizações principalmente de negros.

Sabem que não gosto muito de contar a historia em detalhes. Acho que já basta saberem que não é muito original, ao se fixar numa jovem inglesa chamada Noni, que é noiva de um rapper e tenta estender sua carreira também na America. Mas fica em crise quando ganha um prêmio e tenta se matar, sendo salva por um policial, que lhe dá a força de crescer como artista. A inglesa e branca Minnie Driver faz a mãe da heroína.

Dá para ver que não é grande literatura, é diversão romântica e pop, musical, para quem curte o gênero.

(Beyond the Lights), EUA, 14. Imagem Filmes. Direção de Gina Prince-Bythewood. 116 min. Com Gugu Mbatha–Raw, Nate Parker,  Minnie Driver, Machine Gun Kelly, Danny Glover, Darryll Stephens, Elaine Tan.

Inédito em nossos cinemas, está sendo lançado em DVD e VOD (mas cuidado que o IMDB ao menos por enquanto está usando outro titulo nacional, “Além das Luzes”).

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977. Recebeu uma estrela na Calçada da Fama do Cine Roxy, em Santos, em 2013 e participou como convidado de eventos promovidos pelo CineZen.

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