Serena, de Susanne Bier

Já fazia tempo que eu duvidava do talento da diretora Susanne Bier, que depois de ter ganho um Oscar de filme estrangeiro (por “Em Um Mundo Melhor”, já esquecido!) tem perdido tempo realizando filmes menores e descartáveis como a comédia romântica, “Amor é Tudo que Precisa” com Pierce Brosnan, “Coisas que Perdemos pelo Caminho” com Halle Berry, e o ainda inédito “A Second Chance”.

Este “Serena” foi rodado logo depois que o casal Bradley Cooper e Jennifer Lawrence fez  “O Lado Bom da Vida” (que deu Oscar para ela) e antes de “Trapaça”. Por estar ocupada Jennifer não pôde concluir a pós-produção e o filme só foi lançado há pouco (outubro de 14, começando na Inglaterra). Mas mesmo assim não se esperava um fracasso tão retumbante de critica – o filme estreou nos EUA dia 27 de março e não forneceram dados de bilheteria.

Feito na antiga Tchecoslováquia (Praga) e Dinamarca, é um antiquado romance baseado em livro que teve algum sucesso, de Ron Rash, com roteiro de Chris Kyle (por coincidência é o nome do personagem que  Bradley fez em “American Sniper”). Este escreveu script de “Alexandre”, “K-19”, “O Peso da Água”. Narrado com muita lentidão, com os atores se sentindo pouco a vontade (Jennifer em particular não ficou bem loira de cabelos curtos) se passa na Carolina do Norte, durante a Depressão, quando o herói George Pemberton, que controla uma madeireira no interior, se apaixona instantaneamente por Serena, casando-se com ela e se mudando para o lugar ermo e selvagem, onde ainda se caçam bichos, se tem filhos com moças sem família – é o caso dele que é pai de um menino, o que complica a vida porque Serena depois de acidente não conseguirá ter filhos.

Seria uma história de amor, mas é muito mal contada, lenta e triste, não satisfaz nem agrada. Decepção só.

(Idem) EUA, 14. Direção de Susanne Bier. 109 min.Lançamento direto em DVD, Now, VOD.

Com Jennifer Lawence, Bradley Cooper, Rhys Ifans, Toby Jones, David Dencik, Sean Harris, Anna Ularu, Sam Reid.

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977. Recebeu uma estrela na Calçada da Fama do Cine Roxy, em Santos, em 2013 e participou como convidado de eventos promovidos pelo CineZen.

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