São 15 anos de X-Men: O Filme

Não dá vontade de dizer aquele clichê do “parece que foi ontem”?! Rápido demais. Quando o assisti pela primeira vez a sensação foi de que tinham vindo para ficar. E achava os X Men meus heróis de quadrinhos favoritos. Aliás ainda não mudei de idéia. Embora naquela época nem imaginássemos que a Disney fosse comprar a Marvel e agora haja um embaraço pois a Fox detém  os direitos de tudo que é mutante, o que provoca mudanças e variantes nos Vingadores. Enfim, eu sou da teoria de quanto mais, melhor, e de que não se deve levar tudo ao pé da letra – tudo na vida muda, cresce, se transforma. Porque não as histórias e os personagens? Desde que façam sentido.

Acho curioso repetir a crítica que fiz quando vi “X-Men, O Filme”. (X- Men, 2000) da Fox.

Uma coisa curiosa é que os filmes dos X Men não tem sido o mega sucesso que muita gente imagina. Não foram fracasso, mas este primeiro rendeu menos do que se esperava: para um orçamento de 75 milhões de dólares rendeu nos EUA 157 (não esqueçam da inflação!). O segundo, de 2003, rendeu 214 milhões. Ainda houve o terceiro, dois solos de Wolverine, “X-Men: Primeira Classe” e “Dias de um Futuro Esquecido”, que reuniu os atores de “Primeira Classe” e da trilogia original. O próximo será “Apocalypse” em 2016. Mas da para sentir que não são unanimidade e não têm um apelo mundial assim tão poderoso.

Mas esta aguardada adaptação dos quadrinhos de Stan Lee me pareceu um super-espetáculo inteligente, bem feito, uma diversão competente. Falava-se já que deveria  ser uma trilogia, os atores já tinham contrato para mais dois filmes e  chegaram a ter a idade de rodar os dois próximos simultaneamente. Eu questionava: A diferença é que X-Men não é assim tão famoso (entre os leigos). Nem mesmo o elenco, nem o diretor escolhido Bryan Singer (o mesmo do talentoso “Os Suspeitos” e o injustiçado “O Aprendiz”) tinham ouvido falar antes neles – Singer conta que só aceitou depois porque viu ali a possibilidade de deixar uma mensagem antirracista, contra o preconceito de qualquer forma. De qualquer forma sua carreira esteve por um fio quando ele foi acusado de estupro e abuso de rapazes. Mas o que parecia ser um pesadelo foi desfeito porque não conseguiram provar nada! Não deu em nada. E a vida dele continua como produtor principalmente com a serie de teve “Battle Creek” (15), com Josh Duhamel, “Broadway 4D”, com Hugh Jackman e Christina Aguillera, e “Apocalypse”, que tem novidades como Olivia Munn, a Psylocke, parece que Chaning Tatum que faria Gambit e Oscar Isaac como o vilão do título.

“X-Men” funciona porque tem um roteiro forte e bem construído. Não é apenas uma sucessão de efeitos especiais e explosões (embora elas não faltem). Com um orçamento relativamente modesto para o gênero (cerca de 75 milhões de dólares) tem apenas um aspecto discutível introduzindo flashbacks e uma subtrama ainda não bem explicada de que um dos mutantes teria sido resultado de experiências em campos de concentrações nazistas.

O mais curioso é que a fita parece antes de tudo um “piloto” de uma série de tevê, mais preocupada em apresentar os personagens, introduzir os temas do que resolvê-los. Várias histórias ficam penduradas sem resolução. Foi escolhido como protagonista o Wolverine, feito pela revelação australiana Hugh Jackman, que foi chamado na última hora quando Dougray Scott não pode deixar o elenco de “Missão Impossível 2” a tempo. O filme deixa vontade de ver mais, conhecer melhor os personagens.

Lançado no Brasil em DVD em  duas versões, uma sem extras apenas para locação e outra com extras (boa mas não definitiva), que inclui entrevista com Bryan Singer mais o teste de Hugh Jackman, galeria de fotos, “Animatics”, trailers, dez minutos de cenas inéditas (mas a maior parte são extensões de já existentes e nada muito importante), Making of (“O Telepata”), “trilha sonora promocional” e “surpresa no set”.

Widescreen 2:35:1.104 min.

Cor.

Diretor: Bryan Singer

Elenco: Patrick Stewart, Hugh Jackman, Ian McKellen, Halle Berry, Famke Janssen, James Marsden, Bruce Dawson, Rebecca Romijin-Stamos, Ray Park, Anna Paquin, Bruce Davidson,Tyler Mane, Matthew Sharp.

Sinopse: O estranho Wolverine dá carona a uma adolescente problemática, Rogue, que quando toca um humano extrai toda a energia vital dele (no Brasil, Vampira). A trama se passa num futuro próximo quando a humanidade em sua constante evolução tem agora seus mutantes, pessoas com dons fora do comum e que por isso são considerados perigosos e discriminados pela sociedade. Um político americano de Direita está querendo votar leis contra eles. Mas a humanidade não é má, é apenas mal informada. Um desses cientistas mutantes, Xavier, dirige uma escola para essas “pessoas especiais” e socorre tanto Rogue quanto Wolverine – que quando enraivecido deixa crescer laminas nas mãos – procurando capitalizar suas forças para o bem. Mas ele tem um antigo parceiro que trilhou o caminho do mal e pretende destruir a humanidade, Magneto, que tem a ajuda de outros mutantes bandidos (no caso, o guerreiro Dentes de Sabre, Groxo e sua língua traiçoeira e Mystique que é capaz de assumir qualquer forma humana). Do lado de Xavier temos além dos dois protagonistas ainda: a doutora Jean Grey, que tem dons telecinéticos (mover objetos), Tempestade, que é capaz de provocar raios, chuvas e trovões  e Ciclope (seus olhos são capazes de emitir raios explosivos).

O filme integra o acervo da Vídeo Paradiso

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977. Recebeu uma estrela na Calçada da Fama do Cine Roxy, em Santos, em 2013 e participou como convidado de eventos promovidos pelo CineZen.

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