Vatel – Um Banquete Para o Rei, de Roland Joffé

Baseado em fatos, o filme “Vatel – Um Banquete Para o Rei” se passa na França do século XVII e conta sobre o final de semana em que o Rei Luiz XIV e toda a sua corte passam na província de Canthielly, no palácio do príncipe Condé.

Desde os primórdios da comensalidade, o reunir-se à mesa e compartilhar comida e bebida representam o estreitamento de amizade. Este é o foco central do filme.

Cada grupo envolvido tinha seus próprios interesses na dinâmica das relações: o rei por seu lado procurando aliança forte para uma possível guerra, e o príncipe necessitando de maior suporte financeiro da capital para livrar-se das dívidas.

Como parte da história da gastronomia, as boas alianças sempre passaram por uma refeição bem servida. E para que tudo ocorresse bem nesta festividade foi convidado o Mestre dos prazeres, o chef François Fritz Karl Vatel. Além de profundo conhecedor das artes culinárias, o chef também aliava sua criatividade para a elaboração de espetáculos de entretenimento dignos do rei hospedado.

O rei Sol, governando uma França inicialmente falida, era muito conhecido por sua extravagância e absolutismo. Ganhar a sua confiança e a de seus seguidores passava necessariamente pela impecabilidade dos banquetes e espetáculos.

Em meio à correria da cozinha há a divisão das tarefas e setorização das produções, como uma forma de organização da cozinha. Assim como a criação de pratos altamente complexos e diversificados: apareceram, inclusive, algumas receitas mundialmente conhecidas e inventadas por acaso, a exemplo do .

As grandes dispensas e prateleiras repletas de comidas, escolhidas cuidadosamente pelo chef, e mostradas no filme, ressaltam a evolução gastronômica do homem que passou de simples coletor que dependia da disponibilidade da natureza na Idade da Pedra Lascada, para à abundância dos produtos cultivados e armazenados para o consumo diário da idade da Pedra Polida.

O comércio voltado para a gastronomia, é mostrado na relação de Vatel com seus fornecedores na hora da compra dos alimentos, das taças que chegam quebradas e do fatídico peixe que demoraria tempo demais para chegar.

Mesmo Vatel nutrindo um profundo desprezo pela corte que acompanhava o rei, pois de muitos havia sido tirada a dignidade para satisfazer as exigências da monarquia, assim como no passado havia sido tirada a dele, seu trabalho nunca deixou de ser dedicado e perfeccionista. Tal fator só fortaleceu o apego do chef a Chantilly e seu povo justamente pela simplicidade da vida, das pessoas e a grande estima que nutria pelo Príncipe da Província.

Para complicar sua situação, Vatel acaba se interessando por uma jovem cortesã chamada Anne de Montausier que está despertando a cobiça de ninguém menos que o Rei Sol.

E mesmo compreendendo a complexidade da situação, sua alma passional não deixa de cortejar a jovem que também corresponde seu interesse.

Em uma situação final definitivamente complexa, na qual se vê envolvido em um relacionamento impossível, obrigado a partir para a desprezada Versailles sob expressa solicitação do rei e um eminente fracasso no último dia das festividades, Vatel suicida-se. Preferiu morrer a ter que utilizar seu dom e sua alma de artista para serviço de algo que não acredita ser bom.

https://www.youtube.com/watch?v=5KBM2gGgulM

O filme integra o acervo da Vídeo Paradiso

Paula Azenha é naturóloga, fotógrafa, cinéfila, pós-graduanda em Alimento, Nutrição e Saúde pela Universidade Federal de São Paulo - Campus Baixada Santista. É diretora do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos e já integrou equipe de produção de diversos eventos e projetos culturais.

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