Quem serve para ser James Bond?

Eu gosto do Idris Elba e gostei do texto do André Azenha​. Mas a questão não é só a cor da pele. É mais sobre a intolerância, que é algo instintivo e irracional dentro do ser humano. Seria curioso ver um James Bond negro; tivemos um vilão de James Bond negro, único no livro e na série, o Mr. Big/Dr. Kananga, interpretado pelo excelente Yaphet Kotto, (em breve uma crônica sobre Live and let Die-1973)

A série vive se reformulando. E não foi apenas Elba quem sofreu com algum tipo de rejeição de terceiros. Houve Daniel Craig. Assim como a recusa do Sean Connery pelo próprio criador da série na ocasião em 1962. Ian Fleming disse: “Eu não quero um estivador de porto, sem fleuma para o papel”. Pois é. A escolha de Sean por parte dos produtores resultou no ator mais reconhecido e querido pelos fãs.

No caso do Daniel Craig foi a mesma coisa após a saída repentina de Pierce Brosnan, que encerrou sua participação na franquia com o pavoroso “Die another Day”, de 2002.

| Idris Elba e a intolerância à intolerância

Pierce recuperou a série do anonimato depois de seis anos, deu nova vida e nova roupagem e ficou querido pela geração anos 90. Aí veio Craig e todo mundo endoideceu. Nem lembraram que Roger Moore também foi um James Bond loiro e de olhos azuis e foi muito querido por boa parte dos fãs. Aliás, é meu preferido dentre os seis atores que já viveram o espião nas telonas.

Timothy Dalton leu  todos os livros da série. É um ator  shakesperiano e muitos o consideram  o melhor Bond de todos os tempos, apesar de ter atuado em apenas dois filmes; excelentes por sinal.

O James Bond  perfeito; negro, branco, pardo, etc, só  será legitimado pelo público. O ator tem sim que cair nas graças da plateia, dizendo as mesmas falas e fazendo as coisas que  marcaram o personagem nesses mais de 50 anos de série, desde Barry Nelson para a televisão até Craig foram sete interpretações diferentes, sete agentes que disseram “Bond… James Bond”.

Não tem jeito, é a alma da franquia que por três vezes quase acabou e ainda pode acabar, dependendo da escolha dos produtores. O espectador se torna mais exigente e os filmes se adaptam à época. Também importa como a história é desenvolvida, ainda mais após o excelente roteiro que explorou o passado do personagem em “Skyfall”.

Meu veredito diante da polêmica: James Bond vai além da raça – aliás, a raça não deveria importar. James Bond, seja interpratado por quem for, deve ser galante e ao mesmo tempo frio com as mulheres, escapar  dos vilões mais terríveis do cinema, estar impecável e beber sua vodka-martini que tem que ser  batida, não misturada enquanto uma base de vilão explode atrás. Que venha Idris Elba!

Eu quero ser um James Bond gordo. Será que o público aceita?

Alexandre Rodrigues Pamplona, Biólogo, gerente administrativo, coordenador do grupo Animelan, amante da sétima arte e bondmaníaco de carteirinha.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *