Trilha sonora: O Abutre

O ator Jake Gyllenhaal é um dos destaques desse neo-noir do diretor estreante Dan Gilroy, roteirista de “Legado Bourne” (2012) e “Gigantes de Aço” (2011). Fruto de sua carreira bem sucedida nos roteiros, “O Abutre” tem uma história forte que mostra Gyllenhaal como um homem de personalidade amoral, frio, que vive de pequenos furtos para sobreviver e, em uma noite que testemunha um acidente de trânsito, conhece a profissão de cinegrafista freelance de notícias sensacionalistas para telejornais. Como grande parte da trama é filmada à noite na cidade de Los Angeles, capital do Estado da California, nada melhor que do que uma trilha sonora soturna que servisse de indução à solidão e tensão que os grandes centros urbanos proporcionam a seus habitantes.

James Newton Howard, compositor de 63 anos nascido em L.A., foi convocado por Gilroy para dar vida às desventuras de Lois “Lou” Bloom, o personagem de Gyllenhaal. Veterano, Howard já assinou mais de 100 trilhas sonoras de filmes de diferentes gêneros, como “Uma Linda Mulher” (1990) e “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008). Sua experiência e sensibilidade tornaram possível nas 28 faixas da trilha de “O Abutre” criar backgrounds sonoros que realçam tanto a natureza áspera de Los Angeles como a psique do protagonista.

A abertura com “Nightcrawler” mixa efeitos de teclado, uma linha de guitarra sem muita distorção e graves pesados para apresentar o ambiente de “Lou”. A faixa já dá mostras de que ele é uma “criatura da noite”, ao introduzi-lo após uma série de flagrantes de uma L.A. que dorme iluminada pelas lâmpadas e neons das ruas, avenidas e estradas.

As faixas mais curtas, que aparecem de maneira quase subliminar, merecem destaque. “Driving at Night” e “Driving at Night, Again” constroem uma base quase que onírica, unindo-se com maestria às imagens capturadas pela fotografia do filme. “Day to Night”, com 44 segundos, é orquestrada de maneira urgente, com um tom de tensão que prende o ouvinte. “Pictures on the Fridge” carrega no clima de desesperança com os efeitos de eco de uma guitarra e sons típicos de instrumentos orientais de percussão.

Como o protagonista sempre se envolve em situações perigosas, não poderíamos deixar de lado os sons típicos de thrillers. James Newton Howard não economiza nas texturas dignas de filmes de terror em faixas como “Entering the House”, quando “Lou” testemunha um múltiplo homicídio. Já “Chinatown Express”, que antecede o clímax do filme, mescla piano e sintetizadores sinistros, dando o tom perfeito ao desenrolar e conclusão de uma das cenas mais movimentadas de “O Abutre”.

Formado em Jornalismo na UniSantos em 1999, atuou como repórter e também como editor de revistas segmentadas nas áreas de Construção, Transporte, Indústria e Automação Industrial. Também trabalhou em Assessorias de Imprensa nas áreas de Cultura e Negócios. Viciado em Música (mais do que em Cinema - foi mal, André, rs...) e em revistas (de todos os tipos). Nas horas vagas, ataca de baterista de banda de rock. Contato: redacao.cinezen@gmail.com

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