A Série Divergente: Insurgente, de Robert Schwentke

Chegou o segundo filme da série. Temos ainda que esperar por mais dois capítulos, nos próximos anos, “A Série Divergente Convergente: Parte I” e “II”, e por enquanto para a primeira Parte está previsto ainda o diretor alemão Schwentke, mas nunca se sabe ao certo até termos o resultado de bilheteria. Ele fez nos EUA “RED: Aposentados e Perigosos”, “Te Amarei para Sempre”, “Plano de Vôo”, o horrível “R.I.P.D. Agentes do Além”). De qualquer forma, esta aventura teve algumas críticas bem severas que reclamam de mudanças no livro e soluções que os fãs acham discutíveis. Os jornalistas tiveram a falta de sorte de assisti-lo em uma copia muito ruim, tão escura que era difícil enxergar alguma coisa, mas onde se percebia que o 3D (o anterior não tinha) é completamente dispensável.

Tive certa dificuldade em acompanhar a história, a princípio, porque ela vai pulando de um grupo para outro, numa sucessão de corridas e perseguições. Simplesmente parece que há informação demais que foi jogada ao final do filme anterior e que agora fica confusa (até porque o espectador não se lembra de tudo que se passou). O leitor-fã certamente reclama muito e com certa razão, porque não se explica direito muito coisa com a obsessão de Jeanine, a vilã – a coitada da Kate Winslet, teve a má sorte de estar mal vestida e gorda no filme anterior. Agora deve ter feito dieta e mudou o penteado que a deixaram mais jovem e interessante. Ainda assim faz uma cara de perplexa e seu personagem não ganha maior profundidade, nem mesmo diante de um final inesperado.

insurgenteLamento muito, mas sou daqueles que tem dificuldade em ficar diferenciando um grupo do outro. Acho até bom relembrar do que se trata. Esta distopia fala de um mundo após apocalipse, em que a sociedade foi reorganizada em 5 facções (Audaciosos, Eruditos, Altruístas, Sinceros e Fraternais). A heroína chamada Tris (Shaillene) consegue escapar de um complô liderado pela facção dominante, Os Eruditos, dirigida por Jeanine (Kate). Fugindo e em busca de aliados, Tris e seu namorado Quatre (Theo James, que perdeu o brilho neste filme, ficou opaco) são perseguidos e fogem de trem. Mas a vilã resolve aniquilar os Divergentes. Por que eles seriam uma ameaça à sociedade? A descoberta de uma caixa misteriosa, vinda do passado pode responder isso.

Nem por isso o filme deixa de ser menos misterioso. Tem gente correndo, pulando, voando até, em meio a prédios que se esfacelam e amigos que mudam de lados. Não deixa de ser curioso ver Shailene aqui ao lado do seu galã em “A Culpa é das Estrelas”, Ansel Elgort, que aqui faz o irmão fraco e também outro amigo, que é o agora famoso Miles Teller, seu namorado de “O Maravilhoso Agora” que foi direto para a TV e que tem o papel mais interessante e dúbio do episódio.

Não sei se foi a projeção, mas o novo “Insurgente” me impressionou menos e deixou muitas dúvidas. Não gostei dos efeitos, nem de Shailene de cabelo curto, que já impressiona menos.

EUA, 15. 119 min. Direção de Robert Schwentke. Baseado em livro de Veronica Roth, com roteiro de Akiva Goldman, Mark Bomback, Brian Duffield. Com Shailene Woodley, Kate Winslet, Theo James, Ansel Elgort, Miles Teller, Mekhi Pifer, Jay Courtenay, Octavia Spencer, Naomi Watts, Ashley Judd, Tony Goldwyn, Maggie Q, Janet McTeer.

Estreia no Brasil: 19/03/2015.

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977. Recebeu uma estrela na Calçada da Fama do Cine Roxy, em Santos, em 2013 e participou como convidado de eventos promovidos pelo CineZen.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *