Rocky, Um Lutador, de John G. Avildsen

Stallone escreveu este roteiro original quando era um ator desempregado, que vivia de pontas e ate um filme erótico não explicito  e lutou para vê-lo produzido. Mas sempre estrelado por ele. Era um filme modesto produzido por Irwin Winkler (depois também diretor), Gene Kirkwood e Robert Chartoff para a United. E ninguém poderia imaginar que o resultado fosse um mega êxito de bilheteria, ganhando Oscars de montagem, diretor e filme. O mais estranho é o diretor Avildsen, que não teve uma carreira muito brilhante. Mesmo fazendo o primeiro e segundos “Karatê Kid” e “Rocky V” (porque achava boxe uma coisa estúpida).

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Ao contrário do que as pessoas pensam Stallone não levou um Oscar tendo sido apenas indicado como Roteiro Original (perdeu para “Rede de Intrigas” de Paddy Chayesfsky)  e principalmente ator, tendo sido a segunda pessoa a realizar este feito depois de Charles Chaplin e Orson Welles. Perdeu para Peter Finch.

Também foi indicado aos Oscars de atriz para Talia Shire (irmã de Coppola), coadjuvantes (Burgess Meredith e Burt Young), som e trilha musical de Bill Conti (de grande êxito, até hoje famosa).

Hoje envelheceu bastante a maneira de narrar a história do pobre desafortunado que tem a sorte grande e conquista admiração do público. Mas continuamos a nos identificar e torcer por Rocky e até ter certa admiração por um ator tão limitado e com tantos handicaps, que foi capaz de criar um projeto tão bem sucedido.

O sucesso foi explicado na época como o filme certo para um momento certo de crise econômica, onde precisavam de uma fita otimista. Ao ver a luta entre Mohammed Ali e Chuck Wepner, Stallone teve a ideia de criar Rocky Balboa, o feio e decadente lutador de boxe de 30 anos, que trabalha como cobrador para um gangster e namora a moça feia e tímida. Este anti-herói da Filadélfia virou um símbolo do homem médio e principalmente dos esportistas. Também um pouco de demagogia norte-americana. Declara o personagem: “Eu posso vencê-lo  mas isso não me incomoda. Quero apenas chegar ao fim dos 15 assaltos, porque quando aquele gongo soar e eu ainda estiver de pé, saberei pela primeira vez em minha vida que não sou apenas outro vagabundo qualquer”.

Narrado com simplicidade, bem montado, o filme sempre funciona e tem ainda grande comunicação com o público. Continua a dar a ele esperança! Stallone não abandonou o personagem, fazendo questão de envelhecer com ele, nas continuações, “Rocky II,a Revanche” (79 , já dirigido por Stallone, quando aceita uma revanche com Apollo), “Rocky III – O Desafio Supremo” (Rocky III, de Stallone, 82, onde é ajudado por Apollo, para enfrentar um desafiante Mr.. T!), “Rocky IV” (1985, de Stallone, onde enfrenta o russo Drago, lançamento como astro de Dolph Lundgren), “Rocky V” (de John Avildsen, 1990. Neste, Rocky com relutância se aposenta mas é traído por um protegido que o leva à falência. O filho verdadeiro de Stallone, Sage, faz o filho de Rocky. Ele morreria de overdose de drogas em 2012, aos 36 anos. E “Rocky Balboa” (Idem, 2006, de Stallone). Já mais velho e aposentado, viúvo, o personagem retorna para enfrentar um campeão Mason Dixon.

Hoje aos 69 anos, Stallone continua a produzir, dirigir e estrelar filmes e fará o sétimo filme da franquia, “Creed”, no qual o neto de Apollo será seu pupilo. Lançamento previsto para o fim de 2015, segundo o IMDB.

rockyRocky, Um Lutador (119 minutos)

Rocky, um Lutador (Rocky). Drama. Widescreen 1.85:1.

119 min. Cor. Estados Unidos. 1976. United.

Diretor: John G. Avildsen

Elenco: Sylvester Stallone, Talia Shire, Burt Young, Carl Weathers, Burgess Meredith, Thayer David, Joe Spinelli, Jodi Letizia, Frank Stallone.

Sinopse: Rocky Balboa é um boxeador desconhecido e pouco inteligente que por sorte, consegue disputar o título mundial de boxe contra o campeão Apollo Creed.

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977. Recebeu uma estrela na Calçada da Fama do Cine Roxy, em Santos, em 2013 e participou como convidado de eventos promovidos pelo CineZen.

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