Golpe Duplo, de Glenn Ficarra e John Requa

Ao render menos de 19 milhões de dólares este filme voltou a comprometer a carreira de astro de Will Smith (mesmo ficando em primeiro lugar na semana). O que só deveria ensinar a Will escolher um melhor roteiro e melhores diretores. A partir do título original nada atraente (e ainda por cima é o nome de produtora de cinema, que fez aliás Os Tons de Cinza), o filme bobo, sem graça, sem suspense, com uma história mal contada e nem o nosso Rodrigo Santoro faz muita coisa, embora tenha o segundo papel masculino, um vilão latino envolvido com corridas de automóvel.

golpeduplodvdFoi chamado porque havia feito outro filme da mesma dupla de diretores, Ficara e Requa (“O Golpista do Ano”, 09). Aliás, o primeiro longa da dupla. Vieram depois o meu favorito “Amor a Toda Prova”, com Steve Carrell, Julianne Moore e Emma Stone, seguido agora por “Fun House”, que está sendo feito agora com a mesma estrela Margot Robbie e produzido por Tina Fey. Will e Margot se reencontram neste momento gravando “Esquadrão Suicida”.

Nada porém nos preparava para um filme tão desconexo, onde os diretores não tem ideia onde por a câmera, marcar os atores, dar algum sentido a história absolutamente sem sentido (parece que iria ser feito por Ben Affleck e Kristen Stewart, já pensaram que horror! Brad Pitt depois também recusou, assim como Ryan Gosling e Emma Stone, todos muitos certos em fazer isso).

Rodado em Vegas, em Buenos Aires, o filme confirma a beleza e talento de Margot Robbie, de “O Lobo de Wall Street”, isso mesmo sem ter um papel decente e convincente. Em meio a coadjuvantes horríveis há outra boa aparição com o antigo astro de tevê Gerald McRaney (que faz o pai), de “House of Cards” e que fez várias séries mal conhecidas (“Simon & Simon”, “Designing Women”, “Major Dad”, “Longmire”, “Mike and Molly”). Ainda assim nada tira este enorme equívoco da lista dos piores do ano.

EUA, 15. 105 min. Direção e roteiro de Glenn Ficarra e John Requa. Com Will Smith, Margot Robbie, Rodrigo Santoro, Gerard McRaney, Brennan Brown, Robert Taylor, Griff Furst.

Estreia no Brasil: 12/03/2015.

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977. Recebeu uma estrela na Calçada da Fama do Cine Roxy, em Santos, em 2013 e participou como convidado de eventos promovidos pelo CineZen.

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