007 Contra a Chantagem Atômica

O nome é Pamplona, Alexandre Rodrigues Pamplona, 37 anos, 3.8 a completar em maio deste ano, apaixonado pela sétima arte, mais especificamente por Bond, James Bond,  Agente 007 com Licença Para Matar, e assim o fez  e faz no cinema desde 1962 até os dias atuais.

A convite do amigo André Azenha, tenho a o oportunidade de demonstrar um pouquinho dos meus conhecimentos sobre o agente mais famoso  dos livros e do cinema. Até o lançamento do 24º filme “007 Contra Spectre”, em 29 de outubro, realizarei algumas crônicas sobre  o personagem e algumas  análises sobre   as principais estreias, coisa que  venho fazendo alguns anos  através das chamadas “Crônicas da Nerv”,  agora pelo CineZen.

Será um prazer poder falar de um tema que aprecio tanto e poder compartilhar um pouco deste conhecimento com vocês. O assunto de hoje é sobre o polêmico “007 Contra a Chantagem Atômica”, filmado originalmente em 1965 e depois refeito sob o título “Nunca Mais Outra Vez” em 1983 fora da franquia oficial.

O personagem surgiu, como uma forma de terapia para o ex-agente da marinha britânica Ian Fleming. Maneira que seu psicólogo encontrou para Fleming deixar o estresse de lado, por no papel suas aventuras, que se confundem com a  vida de bon vivant que levava. Assim, nos anos 50, em sua casa  na Jamaica  denominada “Goldeneye” nasceu  o maior dos heróis: oficialmente foram  14 livros, de 1953 a 1966, sendo  o 14º “Octopussy and The Living Daylights” postumamente.

O diferencial foi “007 Contra a Chantagem Atômica” (“Thunderball”), quando Ian Fleming teve a ideia de levar 007 às telonas. Inicialmente procurou o roteirista Kevin McClory, que desenvolveu muitos elementos, dentre eles  a tal organização Spectre e seu líder maior  Ernst Stavro Blofeld.

https://www.youtube.com/watch?v=ElyENM6i0xg

Era para ter sido o primeiro filme de Bond nos cinemas, mas somente em 1965 que “Thunderball”  ganhou as telas, tendo McClory como coprodutor , junto a Harry Saltzman e Albert “Cubby” Broccoli: os produtores oficiais de quase todos os filmes da série.

Até aqui explicados todos os pontos, vamos entender a problemática que haveria a até 2014, em arrastada disputa  judicial envolvendo McClory e os herdeiros de Fleming junto aos produtores da série.

Kevin McClory  entrou  com ação  requisitando direitos autorais sobre o livro de 1961, acusando Fleming de plágio e direitos sobre a bilheteria do filme. Fato que de certa forma  ele conseguiu na justiça:  o impedimento que utilizassem os nomes  Spectre e Blofeld. Também adquiriu os direitos sobre o roteiro “Thunderball”. Exatamente por isso a organização criminosa assim como seu líder não puderam ser  usados nos filmes.

Em 1983 em plena era Roger Moore era lançado o 13º filme da franquia “Octopussy”, que inesperadamente ganhou um concorrente quando McClory procurou a Warner e resolve usar o roteiro de “Thunderball”, chamando o  envelhecido Sean Connery para o papel.

“Nunca Mais Outra Vez” (1983) foi um tombo muito grande para Kevin McClory, um fracasso, mas o filme marcou a estreia da modelo Kim Basinger como a bondgirl Domino.

Um dos motivos para o filme não ir bem foi a total falta de empatia  entre Connery e Basinger  e  excessos de sátiras em cenas grotescas.

thunderballKevin persistiria até 2012, quando faleceu, e a MGM/Sony se tornou a detentora dos direitos e finalmente a novela chegou-se ao fim. No início de 2015 o diretor Sam Mendes anunciou “Spectre” como novo filme oficial de 007, dando por fim a  uma das maiores brigas por direitos autorais da história do cinema.

E sobre “Thunderball”? O filme original é o quarto a série, considerado pioneiro em filmagens subaquáticas. Temos o grandioso ator italiano Adolfo Celi interpretando o vilão Emilio Largo; locações clássicas nas ilhas Bahamas, bondgirls de cair o queixo como  Claudine Auger e Luciana Paluzzi e, claro, Sean Connery no auge da carreira, em seu quarto filme sobre o agente. “Chantagem Atômica” foi a maior bilheteria daquele ano e ainda rendeu  Oscar de efeitos  especiais.

Talvez seja por isso que  Kevin McClory  tenha persistido tanto (risos). Até a próxima pessoal.

O filme integra o acervo da Vídeo Paradiso

Alexandre Rodrigues Pamplona, Biólogo, gerente administrativo, coordenador do grupo Animelan, amante da sétima arte e bondmaníaco de carteirinha.

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