Gotham e Constantine

No momento em que anunciaram uma série sobre Gotham, a cidade defendida tão ferozmente pelo Batman nos quadrinhos e no cinema, criou-se automaticamente uma expectativa elevada já que a série deveria servir como uma apresentação do futuro Cavaleiro das Trevas, apresentando assim um Bruce Wayne ainda criança (David Mazouz, o garotinho de “Touch”) logo após o assassinato dos pais, como também usar a cidade como protagonista focando em tramas policiais e desenvolvendo nuances criminais tendo o detetive Jim Gordon (Ben McKenzie) como esteio. Antes de assistir aos primeiros episódios a ideia era que tudo giraria em torno de séries dos quadrinhos como “Batman: Ano Um” e “Gotham City Contra o Crime”, porém, mesmo usando alguns elementos dessas fases, a tendência é fugir e criar algo novo, inclusive personagens como a criminosa Fish Mooney (Jada Pinket Smith).

O resultado iniciado ano passado e que até agora já passou da metade da primeira temporada é bem irregular. Agrada o clima soturno utilizado, a temática policial quando assumida em contrapartida com a corrupção da cidade, assim como as atuações de Robin Lord Taylor como Pinguim e Cory Michael Smith como Edward Nygma, o futuro Charada. Por outro lado, a série peca em várias situações como a pressa de mostrar logo ao telespectador a maior quantidade possível de personagens da vida do morcego vigilante, nos diálogos bem humorados e romanceados que não condizem com a ambientação desalentadora e, principalmente, na formatação de alguns personagens como o próprio Jim Gordon. “Gotham”, por enquanto, se apresenta sem muito destaque, apenas como mais um produto dentro do universo do Batman e nada além disso.

https://www.youtube.com/watch?v=6lF0jYmQfC8

Constantine

O britânico John Constantine é um dos personagens mais interessantes da DC Comics desde que surgiu na primeira metade dos anos 80 na série de quadrinhos “Hellblazer”. Típico anti-herói, é arrogante, sarcástico, cínico, repleto de piadas de tom duvidoso e aterrorizado por males das mais distintas espécies e origens. Com destaque no mundo da DC dentro do universo da magia, Constantine é quase um mago, mas também pode ser encarado como um vigarista, dependendo de quem o encontre. Em 2005, o astro Keanu Reeves interpretou o personagem em um filme que mesmo não sendo ruim, estava longe do que poderia ser feito, já que desvirtuou bastante dos quadrinhos. Na série produzida pela NBC que estreou no ano passado essa distância entre as mídias se encurta e mesmo apresentando também coisas novas o resultado final é bastante interessante.

O ator galês Matt Ryan faz o protagonista do show e incorpora todos os trejeitos e audácia que se espera, usando o tradicional sobretudo e a camisa branca com gravata. Do seu lado está o fiel parceiro Chas Chandler (Charles Halford) e a bela Zed Martin (Angélica Celaya), que fazem uma espécie de brigada contra um grande mal que está avançando sobre o mundo. Como é passada dentro do mundo da magia e do sobrenatural, a série usa de artifícios como encantos, poções, exorcismos e afins, unindo aventura com terror e humor. “Constantine” tem como primordial vantagem o fato de não se levar muito a sério e nem se focar em agradar a um determinado “possível” público. É uma pena que a NBC ainda esteja pensando se vai renovar ou não para uma nova temporada, pois momentos memoráveis como o episódio “The Devil’s Vinyl” por si só já valem mais do que muita coisa que está por aí na tevê.

https://www.youtube.com/watch?v=cWOLe6Lu1PA

Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é...

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