Trilha sonora: Selma

Premiada tanto no Oscar quanto no Globo de Ouro deste ano como “Melhor Canção Original”, “Glory” funde dois estilos da Música Negra norte-americana com maestria: o Soul e o Hip Hop. Interpretada pelo rapper Common e pelo cantor John Legend, este hino à esperança por dias melhores faz parte da trilha sonora de “Selma” (2014), drama histórico que retrata o protesto e marcha pelo direito ao voto da população negra que aconteceu em 1965 na cidade de Selma, no Estado norte-americano do Alabama. A manifestação contou com personalidades como Martin Luther King Jr, e entrou para a história recente da luta pelos direitos civis dos negros na “Terra da Liberdade”.

Escrita por Common, Legend e Che Smith (artista de Hip Hop de Chicago), “Glory” reúne diversos elementos dos universos musicais de seus intérpretes. Tendo como instrumentação um piano solo e uma orquestra, Legend marca os principais versos com seu canto soul, enquanto Common, com seu rap, pontua de modo firme e emotivo as razões das pessoas em não desistirem da luta por sua liberdade política e igualdade social.

Um dos pontos altos da letra é quando Common faz uma “ponte” entre os fatos ocorridos em Selma, em 1965, e em Ferguson, cidade do Missouri onde em 2014 um policial branco matou um jovem negro suspeito de roubo. A tragédia gerou uma série de violentos protestos após o representante da lei ter sido julgado inocente. A ligação entre os dois fatos históricos monta um triste quadro, onde é possível enxergar que a relação da população negra com o Estado norte-americano continua tensa.

Ao receber o Oscar pela canção, John Legend aproveitou o momento em que os holofotes do planeta estavam nele para pedir uma reforma no sistema de justiça criminal dos Estados Unidos, “pois hoje o número de negros presos no país é maior do que em 1850, ano em que ainda imperava a escravidão”, afirmou o artista. O jornal norte-americano Washington Post apurou que a observação é verdadeira: cerca de 1,7 milhão de negros estão respondendo a processos criminais – praticamente o dobro da quantidade de escravos em 1850, ano em que 870.000 afro-americanos eram considerados “propriedades”.

Formado em Jornalismo na UniSantos em 1999, atuou como repórter e também como editor de revistas segmentadas nas áreas de Construção, Transporte, Indústria e Automação Industrial. Também trabalhou em Assessorias de Imprensa nas áreas de Cultura e Negócios. Viciado em Música (mais do que em Cinema - foi mal, André, rs...) e em revistas (de todos os tipos). Nas horas vagas, ataca de baterista de banda de rock. Contato: redacao.cinezen@gmail.com

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