Trilha sonora: A Teoria de Tudo

A cinebiografia sobre o físico teórico inglês Stephen Hawking chama a atenção pela incrível história do personagem central, um cientista que mesmo acometido por uma doença debilitante revolucionou as pesquisas científicas na área da Cosmologia – e paralelamente a esses feitos, viveu e amou. E como a trilha sonora poderia acompanhar esse drama romântico dirigido pelo britânico James Marsh? A resposta é dada pelo compositor islandês Jóhann Jóhannsson, que entrega com perfeição 27 faixas orquestradas que formam temas oníricos e altamente emotivos, e que em sua grande maioria possuem um piano como ponto de partida das músicas.

“The Origins of Time”, com seus 2min22s, traz um tom intimista que guia o ouvinte a uma atmosfera reflexiva – como se fosse possível ter uma música de trabalho para “pensar”. “A Spacetime Singularity” é outro grande destaque, com tons quase espaciais e sinfônicos, e ecos de trilhas de ficção científica.

Em entrevista ao jornal diário britânico The Telegraphy na época do lançamento do filme na Europa em 2014, Jóhannsson falou que “’A Teoria de Tudo’ é, em sua essência, uma história de amor (entre Hawking e sua companheira Jane Wilde). E a música nasce das relações entre as personas do ‘Homem’ e do ‘Cientista’ presentes no protagonista. Por isso, a maior parte da minha inspiração vem do piano, e normalmente começa com quatro notas que se expandem lentamente em formas mais complexas”.

Um belo exemplo dessa descrição é “A Brief History of Time”, que nasce de um simples fraseado para convocar a orquestra guiada suavemente por Jóhannsson. Não por acaso, “A Brief History of Time” também é o título do livro publicado por Hawking em 1988, e que explica vários temas de Cosmologia, incluindo a Teoria do Big Bang, os buracos negros, os cones de luz e a Teoria das Supercordas.

O compositor Jóhann Jóhannsson possui um histórico diferenciado. Natural de Reykavik, capital da Islândia (país insular do norte europeu), o produtor de 45 anos já lançou vários discos próprios que foram inspirados por música clássica, eletrônica e experimental. “A Teoria de Tudo” é o seu 20º trabalho para longas-metragens, em um portfólio que reúne scores para curtas, documentários e até peças de teatro. Entre suas influências musicais, o próprio Jóhannsson destaca artistas tão diversos como os grupos Kraftwerk, Einstürzende Neubauten e Swans, e compositores de música minimalista como Steve Reich e Arvo Pärt. E entre seus autores favoritos de trilhas de cinema, estão Ennio Morricone e Bernard Herrmann.

Formado em Jornalismo na UniSantos em 1999, atuou como repórter e também como editor de revistas segmentadas nas áreas de Construção, Transporte, Indústria e Automação Industrial. Também trabalhou em Assessorias de Imprensa nas áreas de Cultura e Negócios. Viciado em Música (mais do que em Cinema - foi mal, André, rs...) e em revistas (de todos os tipos). Nas horas vagas, ataca de baterista de banda de rock. Contato: redacao.cinezen@gmail.com

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