Whiplash – Em Busca da Perfeição

Assim como a vida, o Jazz não é fácil… Ele é sinuoso. Hermético. E fascinante! Baseado em suas experiências de aspirante a baterista de Jazz na época de colégio, o diretor norte-americano Damien Chazelle dirigiu no ano passado talvez um dos filmes mais realistas a respeito da paixão e da dor que a Música pode despertar. Em “Whiplash – Em Busca da Perfeição”, vemos a trajetória do jovem baterista Andrew Neiman (o ator Miles Teller) em tornar-se uma lenda das baquetas no Jazz. Em seu caminho surge Terence Fletcher, um professor sádico e perfeccionista interpretado pelo veterano ator J. K. Simmons. Com 24 faixas, a trilha sonora do filme é assinada pelo talentoso Justin Hurwitz e pelo experiente Tim Simonec (maestro que já compôs músicas para mais de 80 filmes e 25 séries de TV).

Hurwitz colabora com 14 composições, que passeiam pelo Jazz moderno e sincopado (em “Overture”) a ambientações que ajudam a ilustrar a psique do protagonista (como em “Practicing” e “Accident” – onde os instrumentos acústicos unem-se a sons eletrônicos para criar atmosferas ora angustiantes, ora confusas). Vale a pena ouvir também o belo trabalho de produção de “When I Wake”, instrumental vintage de Hurwitz que remete ao Jazz dos Anos 30 pela sua sonoridade e feeling.

O mestre Tim Simonec surge com três números feitos para Big Bands, as tradicionais orquestras de Jazz que podem reunir de 12 a 25 instrumentistas, com direito a percussão (bateria), sopro (saxofones, trompetes e trombones), cordas (violinos e contrabaixos acústicos) piano e guitarra. “Too Hip to Retire”, “Upswingin´” e “First Nassau Band Rehearsal (…)” são deliciosas, e trazem toda a força, criatividade e precisão que marcou esse estilo musical entre as décadas de 20 e 30.

Por fim, merecem destaque os clássicos do Jazz que fazem parte da trilha. O saxofonista americano Stan Getz faz um de seus belos solos em “Intoit”. “Whiplash”, de Hank Levy, não só dá seu título ao filme como também surge em vários momentos da história, sendo ensaiada à exaustão. E o que falar de “Caravan”? Esse clássico Standard Jazz composto pelo porto-riquenho Juan Tizol em 1936 (e imortalizada pela orquestra de Duke Ellington) é uma apoteose rítmica de 9 minutos e 14 segundos, e traz um dos melhores solos de bateria já feitos na história da Música.

Formado em Jornalismo na UniSantos em 1999, atuou como repórter e também como editor de revistas segmentadas nas áreas de Construção, Transporte, Indústria e Automação Industrial. Também trabalhou em Assessorias de Imprensa nas áreas de Cultura e Negócios. Viciado em Música (mais do que em Cinema - foi mal, André, rs...) e em revistas (de todos os tipos). Nas horas vagas, ataca de baterista de banda de rock. Contato: redacao.cinezen@gmail.com

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