Operação Big Hero: Vendo por outro ângulo

Em San Fransokio dois irmãos Hiro e Tadashi Hamada partilham não só a orfandade, mas a genialidade em tecnologia.

O mais novo, Hiro, aposta em lutas entre robôs e sai-se bem. O irmão Hamada desenvolve em um Centro de Pesquisa Tecnológicas conduzido pelo prof. Callahan, o projeto de um robô que scaneia doenças e preocupa-se com o bem estar de seus pacientes.

Tadashi quer trocar o “chip” rebelde do irmão pelo bem coletivo.

“Operação Big Hero”, animação da Walt Disney Pictures, posiciona os personagens principais com elementos que me remetem aos contos infantis tradicionais. E isso chama a minha atenção.

“É certo que com a passagem do tempo os contos sempre se renovam,mas é por isso mesmo que suas raízes devem ser muito antigas”.

A afirmação de Jacob e Wilhelm Grimm se solidifica em extensão: “Contos maravilhosos infantis são narrados para que em sua luz suave e pura os primeiros pensamentos, as primeiras forças do coração despertem (…)”.

Hiro e Tadashi enfrentarão as primeiras forças da vida com a ajuda também de elementos fantásticos, amigos e um adulto que representa a ausência da figura geradora – nesse caso uma tia que afirma a sua inabilidade para cuidar de sobrinhos.

Curiosa também a escolha de um café no andar de baixo da casa dos irmãos – uma casa de doces como a de “João e Maria”, mas tia Cass não é a bruxa da história.

A bruxa, ou a representação do mal está personificada com surpresa e também na linha tênue que separa o ímpeto de fazer justiça pelas próprias mãos de Hiro.

A morte é tema recorrente em “Operação Big Hero”, assunto que não é privilegiado na literatura infantil politicamente correta.

operação-big-hero-posterMaría Teresa Andruetto, escritora argentina, fala da necessidade de “desdomesticar” a percepção do mundo dos leitores.

De alguma forma, Hiro quando pede para ver por outro ângulo recitando uma afirmação do irmão, também me “desdomestica” em relação aos desenhos animados na tela do cinema.

Afirmo que não é a minha preferência, mas foi possível estabelecer um paralelo entre a jornada do pequeno órfão que segue em busca de justiça lutando contra obstáculos físicos, emocionais e desafios éticos e morais e no final chega a seu destino amadurecido, com inúmeros personagens dos clássicos infantis.

Hiro agrada-me porque há nele um equilíbrio entre vicissitudes e fortalezas em uma relação fraternal com Baymax – o robô inflável desenvolvido pelo irmão e que é o bem em pessoa – ou em máquina se preferirmos.

Mediadora de processos criativos. Gosta da experimentação, talvez por isso o primeiro título publicado “Laboratório do escritor”, premiado pelo PROAC em co-autoria.

One thought on “Operação Big Hero: Vendo por outro ângulo

  1. Novamente, assisti ao filme para depois ler os preciosos comentários da Zen Cultural sob a batuta de Viviane Almeida. Mas não consegui gostar do filme, como cinema. Cópia de Lilo & Stitch misturado com Transformers animado, Os Incríveis, luta do bem contra o mal… e ainda ganhou o Oscar de Melhor Animação 2015. Talvez eu que esteja desanimado…

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