Amantes Eternos

O diretor norte-americano Jim Jarmusch é um dos principais nomes do Cinema Independente da América. Desde o seu filme “Estranhos no Paraíso”, de 1984, ele tem provado que as trilhas sonoras podem amplificar de maneira bem estranha o clima frequentemente soturno e nada convencional de suas histórias. Aos 61 anos, além de diretor Jim também é músico – no início de 1980, tocou teclado na banda de no-wave The Del-Byzanteens, e desde 2009 toca guitarra no Sqürl, um trio de rock mezzo psicodélico mezzo alternativo de Nova York. Além disso, Jarmusch também já gravou dois discos com o holandês Jozef van Wissem, um compositor radicado nos Estados Unidos que se especializou em tocar alaúde. Todas essas referências chocam-se na trilha de “Amantes Eternos” (o título original é “Only Lovers Left Alive”), seu filme de vampiros lançado em 2013 e que traz no elenco os atores Tom Hiddleston e Tilda Swinton.

A abertura com a instrumental “Streets of Detroit” é curta, porém reveladora de todo o clima gótico que permeia a trilha. Um grande destaque é a versão do Sqürl para “Funnel of Love”, canção dos anos 60 imortalizada por Wanda Jackson, cantora pioneira do rock e do rockabilly. Para dar o devido clima “noir” e manter o charme do vocal feminino, a banda de Jarmusch, acertadamente, convocou Madeline Follin, vocalista do Cults, grupo americano de indie pop.

A partir da faixa “Sola Gratia (Part 1)”, o Sqürl alia suas guitarras e distorções ao alaúde de Jozef van Wissem. “The Taste of Blood”, “Streets of Tangier”, “Only Lovers Left Alive” e “This is your Wilderness” tornam-se belas execuções do encontro de um instrumento acústico com os sons dissonantes e viajantes de um trio de rock. A mistura acaba soando tão bem a ponto de criar atmosferas sonoras dignas não só para assistir o filme, mas também para ler Edgar Allan Poe, Bram Stoker e (por que não?) a HQ “The Sandman”.

Além de Madeline Follin, outras duas presenças femininas são marcantes na trilha de “Amantes Eternos”. A cantora norte-americana Zola Jesus, famosa por flertar com a música eletrônica, vocaliza como se fosse um canto medieval a faixa “In Templum Dei”, e é acompanhada somente pelo alaúde de van Wissem. Já a libanesa Yasmine Hamdan entoa “Hal” como se fosse um trip-hop influenciado pelos sons folclóricos do Oriente Médio.

Por fim, vale citar as músicas que não entraram na trilha sonora oficial, mas que estão presentes, como a versão original de “Funnel of Love”, com Wanda Jackson; o country triste e sinuoso “Can´t Hardly Stand It”, de Charlie Feathers; “Red Eyes and Tears”, do trio Black Rebel Motorcycle Club; e “Under Skin or By Name”, da banda White Hills, que aparece no filme tocando ao vivo.

Formado em Jornalismo na UniSantos em 1999, atuou como repórter e também como editor de revistas segmentadas nas áreas de Construção, Transporte, Indústria e Automação Industrial. Também trabalhou em Assessorias de Imprensa nas áreas de Cultura e Negócios. Viciado em Música (mais do que em Cinema - foi mal, André, rs...) e em revistas (de todos os tipos). Nas horas vagas, ataca de baterista de banda de rock. Contato: redacao.cinezen@gmail.com

One thought on “Amantes Eternos

  1. “Stranger Than Paradise” é profunda! Amo esse filme!
    E o fundo musical, entre trilha sonora e ruídos a la noise, fazem a junção honesta de Jarmusch.

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