15 anos de Um Lugar Chamado Notting Hilll

Ao mesmo tempo, uma total bobagem (afinal, o romance entre a atriz de cinema mais famosa do mundo e o dono de uma pequena livraria de Londres é absolutamente inverossímil) e uma delícia. Tem ecos de “A Princesa e o Plebeu”/Roman Holiday – afinal, o que temos aqui senão uma princesa e um plebeu?

A cena da entrevista coletiva com a princesa, quer dizer, a grande atriz americana interpretada por Julia Roberts quase ao final é uma citação clara do clássico de William Wyler da década de 50. Mas o filme bebe mesmo, e descaradamente, é em Quatro Casamentos e Um Funeral; os americanos, aparentemente, não se conformaram com o sucesso absurdo do delicioso filme inglês, e quiseram porque quiseram fazer a sua cópia, mesmo que fosse em coprodução com a Inglaterra.

Hugh Grant, essa espécie de Cary Grant da virada dos séculos, faz exatamente o mesmo papel que fez no outro – um cara comum, cujo grande charme, além da boa pinta, é ser meio atrapalhado e falar frases compridas, confusas. Assim como no anterior, ele tem uma turma de amigos fiéis – e, se no anterior havia um mudo, aqui há uma paraplégica. Como no anterior, aqui o inglês comum tem um relacionamento com uma americana rica.

E não é para menos que haja tanta semelhança: o autor do roteiro deste aqui, o inglês Richard Curtis, foi também o autor do roteiro de “Quatro Casamentos e um Funeral”.

A trilha sonora é um brilho – várias músicas pop de qualidade reunidas, inclusive uma regravação da versão em inglês de “Tous les Visages de l’Amour”, de Charles Aznavour, que virou “She”, com Elvis Costello, que parece ter sido composta especialmente para o filme, e duas versões diferentes de “Ain’t No Sunshine”, uma beleza.

Há excelentes piadas sobre cinema, sobre o marketing dos filmes, as entrevistas coletivas-exclusivas para lançamento dos filmes. E há uma sequência extremamente bonita – em que, depois de ser abandonado pela segunda vez pela atriz americana Anna Scott, William Thacker passeia pelas ruas de Notting Hill, e na mesma única tomada, um belíssimo plano-sequência, as estações do ano vão mudando. Só esse plano-seqüência já vale o filme. Com o charme e a beleza do casal de protagonistas, então, é impossível deixar de gostar deste conto de fadas.

nottinghilldvdUm Lugar Chamado Notting Hill/Notting Hill

De Roger Michell, Inglaterra-EUA, 1999.

Com Hugh Grant, Julia Roberts, Hugh Bonneville, James Dreyfuss, Rhys Ifans, Tim McInnerny, Gina McKee.

Argumento e roteiro Richard Curtis

Música Trevor Jones

Produção Polygram e Working Title, Universal

Cor, 124 min.

**1/2

O filme integra o acervo da Vídeo Paradiso.

Sérgio Vaz é jornalista (Jornal da Tarde, revista Afinal, Agência Estado, Marie Claire, Agência Estado de novo, estadao.com.br, Estadão, muitos frilas), leitor de jornais, internet e livros, assistidor de filmes, ouvinte de música, e brinca de fazer os sites 50 Anos de Filmes e 50 Anos de Textos.

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