Bidu – Caminhos, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho

A relação entre o homem e o cachorro atravessou os séculos. Milhares de coisas já foram faladas sobre essa amizade, essa cumplicidade. Mesmo aqueles não muito chegados ao animal, tendem a reconhecer esse tipo de afinidade quando a veem. Para o escritor tcheco Milan Kundera (de “A Insustentável Leveza do Ser”), por exemplo, “os cães são o nosso elo com o paraíso”. Além dele, vários outros notáveis já demonstraram uma elevada quantidade de afeto oriunda dessa convivência.

Para Mauricio de Sousa, a relação era tamanha que foi um cachorro o primeiro personagem criado. O Bidu, que apareceu já com o seu dono, o Franjinha. A aparição inicial da dupla foi em uma tirinha inserida no jornal Folha da Tarde em 18 de julho de 1959. Bidu também foi a primeira concepção do autor a ter revista própria (ainda que de vida curta em 1960). O apego ao cachorrinho (que com tempo viria a se tornar azul) só cresceu e ele ganhou toda uma gama de personagens que vivem dentro do seu círculo.

BiduEra questão de tempo então para que essa figura tão importante no universo de Mauricio de Sousa também ganhasse uma nova roupagem no projeto Graphic MSP que a Panini Comics vem publicando. “Bidu – Caminhos” é o quinto volume da série e sucede “Piteco – Ingá” do final do ano passado. A responsabilidade da elaboração dessa nova aparência ficou com a dupla Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho (de “Achados e Perdidos” e “Cosmonauta Cosmo”), que dividem o roteiro e a arte da HQ.

São 82 páginas onde vemos como Bidu conheceu seu dono e eterno amigo Franjinha. Das obras lançadas até agora, pode-se dizer sem medo que essa é a que tem o tom mais infantil de todas, o que necessariamente não chega a ser ruim tendo em vista a abordagem proposta. Como a história une a aventura com algumas outras vertentes, carrega no ar alguma semelhança com “Laços” dos irmãos Cafaggi, onde o quarteto de ferro de Mauricio de Sousa foi apresentado na Graphic MSP (e que ganhará continuação em breve).

Bidu está ali sozinho, sem muitos amigos ainda (mesmo que alguns personagens secundários já apareçam como Duque, Bugu e Dona Pedra) e tentando sobreviver atrás de comida e abrigo, além de fugir dos cachorros maiores e outros perigos de uma cidade. E a jornada que ele leva até conhecer o Franjinha é muito bem traçada, com uma arte limpa e tocante em alguns momentos (como na parte da chuva belamente retratada pela dupla de autores).

“Bidu – Caminhos” tem o tom certo para o personagem, não poderia ser diferente, tinha que ser mais puro e mais singelo mesmo. Vai agradar diretamente aos seus filhos, seus sobrinhos e aos amantes desse animal tão importante para a raça humana através dos tempos. Depois de ler, fica difícil não gostar do que Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho fizeram com o cachorrinho azul, por mais que a identificação pessoal não seja tanta assim.

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Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é...

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