Guardiões da Galáxia: Universo da Marvel no cinema ganha mais personagens fabulosos

Décimo filme produzido pelo Marvel Studios, “Guardiões da Galáxia” surpreende por que, à primeira impressão, parece um projeto despretensioso. Afinal, nos quadrinhos, está longe de ser das equipes mais populares. Ledo engano. Seus produtores sabiam bem o que estavam fazendo. Acreditavam tanto no produto, que confirmaram uma continuação sem nem o longa estrear. A resposta veio com o lançamento. Elogios da crítica. Empolgação do público, que encontra um mix de “Star Wars” com personagens falíveis, engraçados e cuja química resulta em um time de (anti) heróis inusitado.

Chris Pratt é Peter Quill. Quando criança, foi abduzido minutos após ver sua mãe sucumbir ao câncer. Anos mais tarde, é Star-Lord, aventureiro que rouba a esfera pertencente ao poderoso vilão Ronan. O artefato tem o poder de mudar os rumos do universo. Entre os ladrões e caçadores de recompensas que lhe cruzam o caminho estão a árvore humanoide Groot (Vin Diesel), a filha de Thanos, Gamora (Zoe Saldana), o texugo rápido no gatilho Rocket Racoon (Bradley Cooper) e o amargurado Drax, o Destruidor (Dave Bautista). O primeiro contato entre eles não é dos mais amistosos. Mas quando a galáxia entra em perigo, os cinco unem forças.

“Batman Begins” (2005), de Christopher Nolan, parecia ter dado o tom definitivo aos filmes de super-heróis, com sua história calcada em possibilidades (mais ou menos) reais. Tanto que a primeira produção do Marvel Studios, “Homem de Ferro” (2008), focava sua trama na tecnologia. Aos poucos, os produtores capitaneados por Kevin Feige se soltaram das amarras e introduziram, pouco a pouco, a magia da Casa das Ideias. “Thor” (2011) mostrou Asgard. “Os Vingadores” (2012) enfrentaram um exército alienígena. E “Guardiões da Galáxia” expande ainda mais as fronteiras: à la “Star Wars” (impossível evitar a comparação), vamos a uma galáxia distante. Não há o tom solene dado a Homem de Ferro, Hulk, Thor e principalmente Capitão América. Quill é orgulhoso, não se roga a lembrar de uma atitude heroica e nem a cantar e dançar sucessos do pop oitentista, gravados numa fita cassete deixada por sua mãe. Mérito do roteiro: logo no começo, a tragédia na vida do protagonista faz com que nos importemos com ele pelo resto da projeção, independente de suas atitudes.

O diretor James Gunn é hábil e se aproveita da confiança do estúdio para conceber uma trama fabulosa, engraçada, passada em um universo fantástico, repleta de canções que Tarantino adoraria utilizar e estrelada por personagens envolventes: das feições fofas de Groot, que só fala três palavras, ao provocativo Rocket, concebido a partir de excelente trabalho visual e gráfico. A dupla funciona como uma versão de Chewbacca e Han Solo. A mágoa de Drax e sua incapacidade de entender metáforas complementam o porte de lutador de Dave Bautista e proporciona momentos ora hilários, ora singelos. Zoe Saldana, que já foi azul em “Avatar” através da captura de performance, agora é pintada de verde, o que remete ao Hulk dos anos 70, quando o músculoso Lou Ferrigno era banhado pela tinta esmeralda.

guardioesposterCom um elenco secundário que se dá ao luxo de ter os indicados ao Oscar Glenn Close (como a líder da Tropa Nova), Djimon Hounsou, John C. Reilly e Josh Brolin (Thanos), o filme é mais um acerto da Marvel no cinema. Talvez só perca, em coesão, para o segundo “Capitão América”, também de 2014.  Assim, o estúdio vai tornando realidade o sonho de tantos fãs de quadrinhos e, provando à indústria, que é possível conceber uma franquia – que engloba outras franquias – complexa e divertida sem cansar o espectador.

PS: Há uma cena pós-créditos que ressuscita um personagem que estrelou uma das adaptações de quadrinhos mais execráveis da história. Boa piada da Marvel.

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

One thought on “Guardiões da Galáxia: Universo da Marvel no cinema ganha mais personagens fabulosos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *