Transformers 4 – A Era da Extinção: Michael Bay, sempre o mesmo

Michael Bay é confiável. Não que isso necessariamente se transforme em bom cinema. Estamos falando aqui do cinemão, o blockbuster. E há grandes filmes do gênero. A franquia “Transformers” é grande, sim. Não no sentido de qualidade, de ideias legais, tais como a trilogia “Bourne” ou um “Os Vingadores”, da Marvel. Bay repete tudo o que seu público está acostumado. Sempre. E cada vez em escalas maiores, doses cavalares: mais explosões, mais trilha sonora romântica no talo, shortinhos menores.

A trama se passa alguns anos após a batalha entre Autobots e Decepticons em Chicago. Os robôs gigantes praticamente desapareceram. Os poucos que sobraram são caçados por humanos como mutantes, no Universo X-Men, são perseguidos pelos Sentinelas.  Até Cade (Mark Wahlberg) encontrar um caminhão abandonado que, na verdade, é Optimus Prime, o líder Autobot. Ao ajudar o alienígena, o protagonista e sua filha Tessa (Nicola Peltz) entram na mira das autoridades.

transformerposterOk, o parágrafo acima passa a impressão de que há uma história a ser contada. No entanto, a sinopse é a deixa para que, assim iniciado, o longa se transforme numa sucessão tresloucada de explosões, perseguições e piadas manjadas. Em certo momento, já não importa mais como os personagens chegaram a tal situação. A impressão passada é que a câmera fica perdida em meio aos caos. É tudo tão espetaculoso, absurdo, que fica engraçado. Astros como Mark Wahlberg e John Turturro parecem entender essa lógica do cineasta e se entregam ás baboseiras do roteiro. Ao menos não há mais Shia LaBeouf. Mas tem os Dinobots, para alegria dos fãs. Acontece que o tipo de filme que Michael Bay se propõe a fazer se torna mais nonsense a cada lançamento. E, mesmo após suportar quase três horas de projeção – 180 minutos que jamais serão recuperados – não há vontade de escrever muito além disso.

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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