Khumba: Sem grandes pretensões, agrada os pequenos

Um bichinho que não se adapta ao bando e sai pelo mundo em busca de sua redenção. Não, não é “Happy Feet, O Pinguim” (2005), excelente animação vencedora do Oscar e que já rendeu continuação. Trata-se de “Khumba” que, apesar de tratar assuntos recorrentes ao filme de George Miller e outros do gênero, não tem a mesma ambição: é um projeto produzido na África do Sul, pelo estúdio Triggerfish Animation, o mesmo de “Zambezia” (2012). Divulga belezas do país e é voltado ao público infantil. Tanto que o tempo de projeção não completa uma hora e meia. A história traz seus recados de maneira leve, despretensiosa.

Somos apresentados à personagem título. Acusada por seu supersticioso bando de trazer azar para o grupo, inclusive a falta de chuva, a jovem zebra que tem listras em apenas metade do corpo sai em jornada para tentar alcançar a normalidade. Ao lado dela, estão dois amigos: o antílope-fêmea Mama V e o avestruz Pernudo. Pela frente, o trio precisará enfrentar o perigoso leopardo de um olho só, Pangho.

O desenvolvimento do roteiro não é muito diferente do que vemos por aí. Há momentos engraçadinhos, animais excêntricos, a família que se arrepende por ter deixado o filhote fugir. Não faltam nem as partes musicadas, com direito a coreografias. Os pequeninos lembrarão de “Madagascar” e ficarão encantados com o visual, planos abertos que trazem, ao fundo, as montanhas por quais os heróis precisam passar. O filme fala, é verdade, sobre diversidade, a aceitação do diferente. E merece créditos por isso. Ainda que a abordagem seja mastigada. Pois “Khumba” não tem e nem faz questão de possuir o aprofundamento dos longas da Pixar, nem sequer da Dreamworks ou dos trabalhos feitos pelo francês Michel Ocelot. Para os adultos, resta encontrar, em alguns momentos, traços de faroeste, acompanhar os filhos, sobrinhos. E encarar a dublagem. Se Rodrigo Faro e Marco Luque estão ok respectivamente como o protagonista e Pernudo, Sabrina Sato destoa. Sua voz de taquara rachada segue a mesma entonação o tempo todo e irrita.

Estreia no Brasil: 03/07/2014.

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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