A Maconha

O Brasil, via Senado da República, se dispõe a analisar a proposta de origem popular que permitiria o plantio e o comércio da maconha em seu território.

O relator designado para analisar a matéria, Senador Cristovam Buarque, promete ouvir representantes de todos os segmentos da sociedade, inclusive usuários da erva e também os especialistas na área de saúde. Quer saber sobre o emprego medicinal e se o consumo desta droga é porta de entrada para o uso de substâncias de maior poder entorpecente, assim como afirma que analisará aspectos relacionados aos costumes da sociedade e como ela vê a possibilidade de regularização do plantio, comércio e uso desta substância.

Somente um político sério entende que todos os segmentos da sociedade devem ser ouvidos ao invés de enfiarem a pílula goela abaixo, como é usual por aqui…Não; nada a ver com a Copa, porque se consulta tivesse havido, especialmente naquele momento, quase com certeza teria sido aprovada a “idéia de gênio”.

Voltando ao tema original, é neste momento que retornam à minha lembrança alguns fatos que antecederam a nossa mudança para a zona rural, onde demos continuidade à criação, formação e educação de nossos filhos.

Certo dia – ainda morando em Santos e vendo o que “rolava” nas esquinas próximas – eu disse o seguinte: “no momento em que eu puder plantar maconha no fundo do meu quintal, filho-da-puta nenhum vai oferecer essa merda para os meus filhos”.

Os de boa vontade e os que tiverem um mínimo de cérebro, irão entender o que eu quis dizer…

Nasci em bairro pobre, na periferia da capital de São Paulo e, fora da escola e da família, a minha convivência era com a molecada da rua onde morava, das ruas, vielas e da favela mais próxima. Já naquele tempo, alguns usavam a maconha, especialmente às margens dos campos de futebol de várzea, mas eu sempre abominei aquele odor fétido. Nunca existiu afinidade!

Houve época em que eu defendi a liberação das drogas e o controle rígido sobre o uso, disciplinando locais de consumo e punindo com “sobre pena” qualquer ato infracional cometido sob o efeito de substâncias alucinógenas, pois via a ação como a única forma de combater o crime, a corrupção e a desestruturação moral do estado, oriundos da criminalização das drogas. A “Lei Seca” serve como excelente parâmetro.

Não sei se, com o tempo e mais um pouco de vivência, mudei de idéia, mas deixei de pensar no assunto e, hoje, acabo não tendo opinião formada sobre essa proposta em andamento.

Todavia, mantenho a convicção plena e ainda irretratável, sobre a disciplina e sobre as punições já mencionadas.

Ninguém pode ser obrigado a conviver com o odor e muito menos com os desmandos havidos por conta do consumo de drogas de qualquer tipo, como hoje ocorre.

O tempo presente e o bom senso exigem do legislador brasileiro total comprometimento com as possíveis mudanças nas regras sobre comércio e uso de drogas. É imperioso, quaisquer que sejam as substâncias liberadas para comércio e consumo, que o público fique livre das influências e das conseqüências advindas das possíveis mudanças na legislação e nos hábitos de parcela da população.

Em São Paulo, a medida correta de proibição do uso de fumígenos em ambientes públicos – apesar da forma de fiscalização equivocada – vem tendo excelentes resultados e recebendo o apoio de todos os cidadãos não fumantes.

A mesma forma deveria necessariamente acompanhar qualquer nova regra sobre uso de substâncias tóxicas, criando-se a proibição de seu uso em qualquer local público e prevendo-se legalmente um severo acréscimo de pena, para qualquer crime ou ato infracional praticado sob o efeito de substâncias tóxicas, estendendo-se essa punição para as infrações cometidas sob efeito de bebidas alcoólicas.

* Conteúdo enviado ao Senador Cristovam Buarque e que mereceu resposta no dia seguinte.

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