Até onde vai tudo isso?

Do Rio de Janeiro – A hastag “ #naovaitercopa” se prolifera nas redes sócias,enchendo as timelines de um desejo pungente de mudança. A coisa tende a sair do campo virtual. E já começou. Em uma manifestação,o cinegrafista Santiago Andrade foi morto por um rojão que, agora sabemos, foi lançado por um manifestante. Ele se diz Black Bloc. Aí, residem alguns problemas…

A morte de Santiago começa a dividir pessoas – e afirmar o posicionamento de alguns. Liberdade de expressão é direito constitucional garantido. Morte também: cadeia. O problema dos Black Blocs não terem um líder – adaptando a ideologia dos Três Mosqueteiros nos tempos modernos – é exatamente a falta de estruturação quanto à reivindicação. Pior. Os BB afirmam agora não ser um grupo, mas uma tática.

Em resposta a um civil irado sobre o assassinato cometido – mesmo sendo um acidente –  o administrador da página disse que cada indivíduo têm seus próprios meios de agir como manifestante. Ou seja, a tal tática é não ter tática nenhuma. Nada impede que um manifestante qualquer ,em posse de uma arma de fogo, comece a atirar na polícia, esse braço “repressor e corrupto do estado”, segundo o discurso dos mesmos. Segundo leis, não podemos ter as tais armas; também, segundo leis, não podemos matar.

Essa falta de controle só serve para duas coisas: eximir os cabeças do movimento de qualquer culpa que  venha recair sobre suas costas por conta de alguma ação do grupo. Dois: proliferar um sistema anárquico e sem discernimento que não vai ser ouvido diante dos poderes políticos dessa cidade. Perde credibilidade. Sustentação. Foco no discurso.

Se você ainda é ingênuo e acredita que o grupo (ou a TÁTICA) não possui líderes, basta ver quem sempre aparece nos noticiários toda vez que os mesmos são citados. Nas entrevistas para veículos de comunicação em massa. Diferente do que todos dizem, ao menos nestas horas, há representantes do grupo. E são sempre os mesmos rostos.

Servindo de manobra política ou não, é ano de eleição e é sempre bom ficar atento. A coisa não vem se desenhando de hoje. Os conflitos verbais entre esquerda-direita já não vão nos trazer a solução. O problema é muito mais embaixo. É necessário a essa juventude se organizar como corpo político e pensante, tendo como única bandeira o bem comum de toda uma nação. Se assim não for, essa geração que brada sobre liberdade e luta pela igualdade e um país melhor nas ruas, estará fadada a findar, como o passado que tanto condena.

Foi colunista da extinta revista digital Acerto Crítico, do ano de 2000 até seu término em 2006. Foi colunista fixo dos blogs Jovem Repórter e CulturaNI , onde abordava cultura pop, música, cinema e cotidiano cultural da Baixada Fluminense. Escreve contos no seu blog pessoal “Se Nada Mais Der Errado”. Colabora com o CineZen desde 2010. É roteirista por formação – e, por orgulho – da HQ “Cotidiano”, pela editora “Maustouche”. Escreveu o roteiro dos curtas-metragens ” Ainda bem que estamos aqui” e ” Se nada mais der errado”. É autor de “Pequenos botões e grandes blusas”, distribuído digitalmente de forma gratuita.

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