Tempo de cenas de gratidão

O que dizer do futuro? O que esperar dele? Qual a conversa que teremos com o tempo na entrada do novo ano? Este é meu último texto de 2013 para o Cinezen. Estou no sétimo andar e faz calor, meu senhor, neste dezembro. Lá fora, transeuntes procuram a última modelagem com a cor apropriada (branco para a paz, vermelho para a paixão, amarelo para o dinheiro, etc), buscando nisso um sentido para a sorte. Mas eu estou aqui, avessa a esse alvoroço. Aliás, sempre estou em outra marcha, em outro ritmo. É, acho que isso vocês já notaram.

Para fechar o ano, eu escolhi um filme lindo e tocante para ser analisado. Mas eu só faço apagar este texto que não quer ser escrito. Paro aqui então. Paro de brigar com ele e obedeço ao curso do meu coração que me pede, gentilmente, que eu apenas agradeça.

Sim, eu preciso agradecer. Preciso porque eu amo escrever para o Cinezen. Eu me sinto honrada, tanto pela proposta do site como pelo conjunto de leitores que acompanham cada novidade. Eu preciso agradecer porque num ato de generosidade, o querido amigo Manoel Herzog, que também escreve na coluna ‘Cais das letras’, sugeriu a meu outro querido, André Azenha, que o Cinezen precisava de vozes femininas em seu corpo de articulistas. Foi no bar Independência, num dia em que fiquei bêbada na hora do almoço. Eu quase nem percebi o Herzog falando isso. Eu quase nem acreditei que o André fosse aceitar. Mas estávamos ali, e também estava a Viviane Almeida, que comigo compõe divinamente a coluna ‘Godivas’ neste respeitoso site sobre cinema.

É claro que eu fiquei assustada quando o André aceitou a sugestão do Herzog. Ainda mais porque eu não estava mais bêbada. Eu pensei: esses caras são malucos! A verdade é que eu não estava preparada. A verdade é que a gente nunca está! Mas o movimento da escrita nos força a buscar mecanismos internos e externos de leitura. Comprei livros sobre cinema.

Li tudo que podia. Mas no fundo, não era a intenção propor uma escrita didático-pedagógica, pedante e pautada em termos técnicos.

Fiquei grata e aliviada quando, antes de começar, o querido André me deixou livre. Pediu apenas que registrasse minhas impressões sobre filmes que eu havia assistido. Daí, num misto de prazer e medo, iniciei minha incursão neste universo novo para mim. Eu, sempre com o nariz nos livros, passei a ter outras lições de casa, outros exercícios: filmes para ver e para conversar depois.

Desde então, tem sido enriquecedor. Assisto a filmes com um caderninho nas mãos (aprendi escrever no escuro!). Vou anotando tudo ali: diálogos, melhores cenas, fotografia, lugar, tempo da narrativa e o momento da virada (plot point), profundidade das personagens, etc.

De lá pra cá, só ganhos e alegrias. Fiz amigos por causa do Cinezen. Pessoas escrevem dizendo que leram meus textos sobre algum filme e que ficaram com vontade de assistir. Outro dia, enquanto eu estava lendo um livro calmamente num café, fui abordada por um moço bonito que acompanha a coluna ‘Godivas’. Quase fiquei insuportável, mas me contive (risos).

Foram tantas as experiências de aprendizagem ao iniciar esta empreitada prazerosa como integrante desta família que se chama Cinezen! Aprendi muito! Até minha forma de escrever meus contos e poemas mudou.

André Azenha, parabéns pelo seu trabalho, pela sua iniciativa de democratizar a cultura e o cinema em nossa região. Obrigada pela ilustre oportunidade que me concede de escrever minhas impressões aqui.

Manoel Herzog, obrigada por seu meu amigo e por ser sempre tão gentil. Tenho muito a aprender sobre a arte da leitura e da escrita.

E finalmente, quero agradecer a todos os leitores que tem me acompanhado até aqui. Muitíssimo obrigada. Eu não me sinto só. Eu me sinto especial por causa de vocês.

Que em 2014 nós possamos continuar esta deliciosa conversa sobre a sétima arte.

Que meu beijo encontre um sorriso feliz em cada rosto!

Com carinho e gratidão, Mô Amorim.

Moça de família quase boa que presta atenção no comportamento de estátuas, pombas e transeuntes. Formada em Letras, cultiva certa dor pelos livros que ainda não leu. Publicou em 2010, pela Editora Adonis, o livro "A nuvem vermelha", e escreve, como se fosse remunerada de raios de sol, poemas e crônicas para o blog “Estripitize-se!”, o qual mantém desde 2007.

3 thoughts on “Tempo de cenas de gratidão

  1. É Mô, eu mesmo tento desenvolvido o meio pelo qual você e os outros colaboradores e o Azenha distribuem esses textos tão ricos, sou o que menos participa das ações do site, acredito muito em toda a ideia — todo o poder de mudar a vida das pessoas, mesmo que momentaneamente (que é isso que o cinema faz, nos faz sentir) — e nesse mesmo sentimento que você deixa transbordar no texto.

    Parabéns Mô pelo seu esforço de me trazer tanta coisa boa. Parabéns ao CineZen e ao André Azenha.

  2. Gostei muito, Mô ! Gratidão tem sabor de coisas bem feitas, de acertos, e nos envolve sempre em um misto de saudades e lembranças que jamais poderão ser apagadas! Vivemos!
    Abraços.
    Jane

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *