Incongruências ou Imoralidade Político-Administrativa?

Os Corruptos (Desenho por Bastos)

politicoladraoJá não se sabe mais como classificar o caradurismo ou o descaramento dos gestores da coisa pública, quando se trata da defesa de interesses próprios ou de grupos a eles ligados.

Em todos os episódios mais recentes, envolvendo gente da “situação” ou da “oposição”, o descaramento tem se mostrado patente e a imoralidade parece não mais fazer parte das questões condenáveis pelos modelos sociais em vigor.

O único Ministro que gozava do melhor conceito perante a opinião daqueles que ainda observam pelos próprios olhos e que concluem por conta do próprio raciocínio, tem deixado decair o padrão – quem sabe, a máscara – de homem sério e comportamento ilibado, ao reconhecer ter andado por linhas tortas e facilitado o encaminhamento de informações e de acusações que atingem adversários políticos. Não que estes tenham as caras limpas e não mereçam sérias investigações sobre suas atividades perniciosas ao estado e aos seus cofres, mas o ministro não poderia entrar no jogo com cartas nas mangas.

Outro dos ministros “mais chegados” ao poder central – descobre-se agora -andou fazendo “gestões” extra-oficiais junto ao Poder Judiciário, com a finalidade de interferir na decisão do presidente da mais alta corte e obter concessões para um dos condenados no episódio histórico, alcunhado de “Mensalão”.

Através dos marqueteiros do partido e provavelmente de todos os asseclas a ele ligados, as chamadas mídias sociais vêm sendo usadas – bem usadas – para mostrar a imagem de “coitado”, de homem simples e de parcos recursos, desse mesmo condenado, por quem o ministro vem fazendo gestões junto a outros poderes. Fotos de sua pretensa moradia, em bairro simples da capital de São Paulo, com o carro velho na garagem, influenciam a opinião pública menos avisada.

Na condição de Deputado Federal, o dito “representante popular” recebe por mês quantia superior a cem mil reais.

Com quinze salários anuais – como até alguns meses – o montante recebido a cada ano supera a casa do milhão e meio de reais. Depois de vinte anos de mandato, o pobre coitado recebeu, no mínimo e oficialmente, trinta milhões de reais (uma pequena fortuna).

Embora tenha saído dos nossos bolsos, o dinheiro é dele e pode ser usado como bem entender. Agora, vir posar de coitado, é puro caradurismo.

O Ministro da Economia e um séquito de súditos visitaram os Ministros do Supremo Tribunal, para tentar – e parece terem conseguido seu intento – postergar o julgamento dos “planos econômicos”. Se o ganho de causa for dado aos cidadãos, os bancos terão de abrir mão de uma imensidão de seus lucros. A alegação dos representantes de um partido que se diz popular, é a retirada de circulação de um trilhão de reais, como se o povo fosse guardar a grana debaixo do colchão ou na Suíça, como fazem muitos deles.

Ora, senhor ministro, vá cuidar de seu pãozinho com margarina!

A situação é crônica e o nosso barquinho de papel navega ao sabor das chuvas e das enxurradas, celeremente, a caminho do bueiro.

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