Sobre escrever todos os dias

ericFrederik Pohl faleceu no início deste mês. Foi um grande escritor norte-americano, publicou dezenas de livros. Editou bastante material de amigos. Fã de ficcão-científica, escreveu para uma das maiores do gênero, a “Galaxy”, e sua irmã, a “IF”.

Fred escreveu o conto “The Tunnel Under The World” (1955), no qual narrava a possibilidade de realidade em simulação eletrônica (imagine se você descobrisse que é um personagem de “The Sims”). Essa é a ideia. Lembrou-se de “Matrix”? Não é algo muito longe disso.

Fred nos deixou uma lição valiosa sobre a profissão de escritor que pode ser estendida para qualquer outra: determinação.

Em seu livro de memórias “The Way the Future Was”,  somos  brindados com pequenos relatos valiosíssimos, algo que deixa claro a seriedade com que encarava a profissão, além de um posicionamento louvável diante da vida. No livro pode-se ler: “O que eu fiz foi estabelecer para mim uma cota diária de quatro páginas. Nem mais, nem menos. E escrevo essas páginas todo dia, não importa onde eu esteja, nem quanto tempo leve, nem que eu morra tentando. Às vezes elas me exigem 45 minutos, às vezes dezoito horas.”

E continua:  “(… ) Se falhar um dia apenas o ritmo será quebrado e o edifício inteiro desabará em minha cabeça. Escrever todo dia significa escrever no sábado, no domingo, no dia de Natal, no meu aniversário, no dia em que faço tratamento de canal, no dia em que vôo para Londres. Cumpro minha cota em aeroportos, em balcões, em trens. Escrever todo dia significa escrever todo dia mesmo, sem exceção, e esta é, para mim, a regra número 1 de um escritor profissional” .

É lição pra mim. É lição pra quem quer que seja.

Foi colunista da extinta revista digital Acerto Crítico, do ano de 2000 até seu término em 2006. Foi colunista fixo dos blogs Jovem Repórter e CulturaNI , onde abordava cultura pop, música, cinema e cotidiano cultural da Baixada Fluminense. Escreve contos no seu blog pessoal “Se Nada Mais Der Errado”. Colabora com o CineZen desde 2010. É roteirista por formação – e, por orgulho – da HQ “Cotidiano”, pela editora “Maustouche”. Escreveu o roteiro dos curtas-metragens ” Ainda bem que estamos aqui” e ” Se nada mais der errado”. É autor de “Pequenos botões e grandes blusas”, distribuído digitalmente de forma gratuita.

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