Vikings

Ragnar e o irmão do rei Aelle (Foto: Jonathan Hession/ Divulgação)

A busca pelo novo. Por novos lugares, novas cidades, novas oportunidades, novos mares. Quantos e quantos povos não se definiram por isso ou tiveram isso como a peça motivadora para a expansão de seus reinos na idade antiga ou para a própria consolidação de seus países na idade moderna. O History Channel, com a destreza técnica que lhe é peculiar, resolveu escolher um desses povos para servir de base para a primeira série que coloca no mercado televisivo. “Vikings” estreou lá fora em meados de março e chegou aqui no país no começo de agosto.

Com exibição nacional pelo canal NetGeo, “Vikings” tem início por volta do ano de 790 D.C e tem como personagem principal o fazendeiro, guerreiro e saqueador Ragnar Lothbrok (Travis Fimmel da série “The Beast”). A região da Escandinávia, terra abrigada por nações como Suécia, Noruega e Dinamarca, serve como palco para a ambientação histórica, sendo que a série se baseia mais nos avanços e marchas do último país citado. Já com a segunda temporada garantida devido ao sucesso de público nos EUA, a produção transita entre bons momentos e outros nem tanto assim.

Do lado positivo temos a caracterização da época nas vestimentas e lugares, assim como na ideologia, mesmo que esta às vezes tente amenizar algumas atenuantes mais pesadas. A parte da ação também convence, assim como o alicerce que norteia tudo que é a citada busca pelo novo, traduzida na ideia fixa de Ragnar navegar por novos mares e saquear outros lugares. Uma busca pela terra prometida, por assim dizer. Há de se louvar também a boa carga religiosa contrapondo os deuses nórdicos (Odin, Thor, Loki e cia.) e a religião católica, por exemplo. Uma boa visão de como essa parte do mundo pensava e agia.

Porém, no meio da briga de Ragnar contra o todo poderoso Earl Haraldson (Gabriel Byrne de “Os Suspeitos”) para conseguir navegar por outras águas, uma parte incomoda um pouco. Tentando dar um tom mais novelesco e criar tramas para atrair a atenção do público em geral, o roteiro romantiza demais em determinados momentos e retira o foco dos avanços e dramas de conquista para relações chatas e pesarosas. O mesmo erro que o canal já havia cometido com a minissérie “Hatfields & McCoys” (já exibida aqui, mas que continua passando vez ou outra).

Por conta disso, “Vikings” sempre que parece que vai deslanchar acaba caindo de nível e não cumpre tudo aquilo que promete por esse fragilizado desvio de foco. Idealizada por Michael Hirst, também criador de séries como “The Tudors” e “Camelot” e roteirista de filmes como “Elizabeth” de 1999 e “Elizabeth: A Era de Ouro” de 2007, essa romantização já era esperada para quem conhece as produções citadas acima, porém a dose que aqui é aplicada vai mais além e acaba diminuindo bem o resultado final.

Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é...

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