Wolverine: Imortal: Quase lá

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Wolverine é um dos personagens mais fascinantes do universo Marvel. Além de integrar as histórias dos X-Men, que evocam temas da sociedade como preconceito, igualdade, convivência, medo do desconhecido, etc, Logan é uma figura tremendamente interessante, envolvente: alguém que desconhece seu passado, sente-se deslocado no mundo, está mergulhado em fúria, rancor e, ao mesmo tempo, ajuda os outros, se apaixona. No cinema, muito do seu lado obscuro foi amenizado. Além disso, se nos quadrinhos é alguém de um metro e sessenta de altura, nas telonas recebeu a personificação do galã Hugh Jackman, que tem vinte centímetros a mais. Ainda assim, Wolverine conseguiu o mesmo destaque no cinema: Jackman se apropriou dele de tal forma tal qual Christopher Reeve é o Superman. Difícil imaginar outra pessoa com as garras de adamantium.

Após três filmes do X-Men com a primeira geração de atores, uma rápida e divertida aparição em “Primeira Classe” (2012) e o fraquinho “X-Men Origens: Wolverine” (2009), que chafurdou na lama ao colocá-lo em meio a um samba do crioulo doido de mutantes, o herói ganha um filme respeitável: “Wolverine: Imortal” – título que gerou piadinhas na web relacionando-o a chatinha música de Sandy e Júnior.

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Se o longa não segue à risca a clássica HQ “Eu, Wolverine”, de Chris Claremont e John Byrne, que o mostrava indo ao Japão em busca de amor e para tornar-se o homem que deseja ser, ao menos funciona como trama de ação. Os acontecimentos se sucedem depois do ocorrido em “X-Men: O Confronto Final” (2006), quando Logan precisou matar o amor de sua vida (Jean Grey), possuída pela Fênix Negra, e salvar a humanidade. Desamparado, ele desiste de atuar nos X-Men e perambula pelo Canadá, até ser encontrado por outra mutante, Yukio, que o convida a ir para o Japão.

No filme, o motivo da viagem é diferente dos quadrinhos: um antigo amigo, Yashida, a quem salvou na Segunda Guerra e está moribundo, propõe ao protagonista doar o poder de invulnerabilidade, tornando-se mortal (aliás, o tema imortalidade é exagerado – nos gibis, seu envelhecimento se dá de forma mais lenta, ponto). Wolverine declina. A mutante Víbora, que trabalha na corporação Yashida, o infecta com algo que prejudica seu organismo. Aos poucos, ele torna-se vulnerável. Pelo caminho, precisa salvar a neta do amigo, Mariko, perseguida pela Yakuza, a máfia japonesa.

wolverine2Sem tantos mutantes quanto “X-Men Origens: Wolverine”, o versátil e competente diretor James Mangold (“Johnny e June”, “Os Indomáveis”, “Garota, Interrompida”) pôde desenvolver o personagem em uma jornada que vai bem nos dois primeiros atos e escorrega no terceiro. Wolverine, um ser de pura emoção, precisa conviver com os códigos orientais e, obviamente, tem problemas. Jackman mais uma vez corresponde e, em pequenos gestos e olhares, demonstra a surpresa do mutante ao perceber que está sangrando e não se recupera mais facilmente dos ferimentos.

O elenco reúne nomes importantes do cinema japonês. Hiroyuki Sanada (Shingen), por exemplo, é egresso de pérolas “Samurai do Entardecer” (2002), de Yôji Yamada, e esteve em produções hollywoodianas como “O Último Samurai” e “A Hora do Rush 3”.

É verdade que não há grande química entre Jackman e Hao Okamoto, a Mariko, e a vilã Víbora (Svetlana Khodchenkova) está mais para a Era Venenosa de Uma Thurman de “Batman & Robin” (1997). Ou seja, é mais um destaque de escola de samba, praticamente um travesti, do que uma ameaça plausível.

A presença constante de Jean Grey tem incomodado algumas pessoas. No entanto, é interessante perceber a que ponto chegou o envolvimento de Logan com a namorada de Ciclope, beirando a esquizofrenia e pautando, mesmo através de sonhos, suas atitudes. Esse artifício não é novo: já foi utilizado de formas diferentes no cinema, nos quadrinhos, na TV. Quem já viu a série “Perception” ou leu o gibi “Funeral para um amigo”, do Superman, entenderá.

Beneficiado pela ambientação oriental, um design de produção extremamente competente, efeitos visuais corretos e boas cenas de ação, especialmente a que se passa no trem, e remete a James Bond e “Missão Impossível”, mais aquela em que o mutante é acertado por várias flechas, “Wolverine: Imortal” em sua maior parte sequer lembra um filme de super-herói. Traz bastante diálogo, romance, drama e ação dosada, até derrapar no final, quando descamba para sequências tresloucadas e vilões caricatos, incluindo o Samurai de Prata, transformado aqui num gigante que lembra aquela criatura que assombra Bruce Lee na cinebiografia “Dragão: A História de Bruce Lee”. Deve ter pesado, aí, as mãos dos produtores. Por pouco, não é o longa definitivo do personagem.

Detalhe: espere os créditos que há uma cena bem legal e que faz a ligação para “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”, planejado para o ano que vem.

wolverineporterWolverine: Imortal
Ação. De James Mangold. Com Hugh Jackman, Svetlana Khodchenkova, Famke Janssen, Will Yun Lee , Kenuichio Harada, Brian Tee, Hiroyuki Sanada, Tao Okamoto, Rila Fukushim, James Fraser, Luke Webb, Hal Yamanouchi.
128 minutos.

Estreia no Brasil: 26/07/2013.

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