A história do Superman no cinema

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Com a proximidade da estreia de “Man of Steel”, novo filme do Superman, prestes a acontecer no Brasil – já estreou lá fora em 14 de junho -, muita expectativa foi gerada. Assim, relembramos toda a trajetória do personagem nos cinemas, desde os anos 40.

Os primeiros voos no cinema

superman1941_2Não. Não foi nem Christopher Reeve, no clássico de 1978, e nem George Reeves, no filme produzido para divulgar a série dos anos 50. Na verdade, não foi nem um ator de verdade que encarnou pela primeira vez, nos cinemas, o maior herói do universo.

Criado por Joe Shuster e Jerry Siegel e publicado originalmente em 1938, na revista Action Comics #1, Superman teve um programa de rádio de bastante sucesso dois anos depois. O próximo passo natural seria levar o herói às telonas. E foram dois irmãos judeus de origem alemã, Max e Dave Fleishcer, criadores da rotoscopia – animação baseada em filmes  live action que revolucionou o gênero ao apresentar movimentos próximos da realidade -, responsáveis por animações de Popeye e Betty Boopy, que ficaram incumbidos pela Paramount, num preço recorde para a época (US$ 50 mil apenas para o episódio piloto, quatro vezes mais do que se costumava pagar), de realizar uma série, em 1941, de curtas-metragens animados para as matinês cinematográficas.

Foram 17 ao todo. E quem vê o Superman atual, tanto dos gibis, como do cinema ou do desenho animado, não imagina que o personagem no início de sua existência não voava, e não economizava tempo em partir para a briga com os vilões.

Nas histórias, o homem de aço tem muito das tramas dos quadrinhos da era Siegel & Shuster, onde ele é kryptoniano, mas não foi adotado por um casal de bons velhinhos e nem criado em Smallville. Logo que chega ao planeta Terra, ele é recolhido por um taxista que o leva a um orfanato, onde passa sua infância. Além disso, seus primeiros vôos ocorreram nesses desenhos – até então ele era “capaz de pular um prédio com um único salto”, como dizia a locução.

http://www.youtube.com/watch?v=yr4OAcOFVg0 O primeiro episódio

Outra característica da série é a influência dos programas de rádio daqueles anos, filmes noir e de gângster, com bastante sombra, contrastes, vilões excêntricos, a repórter (Lois Lane) atrás de uma grande reportagem e que sempre acaba envolvida no meio da ação, precisando ser salva pelo herói. Hoje em dia, esses curtas soam ingênuos e sem maior profundidade no desenvolvimento dos roteiros (mesmo porque o tempo de duração não permite maiores detalhamentos), mas na ocasião foram revolucionários, eram muito bem desenhados e já continham boas cenas de ação.

O primeiro capítulo, simplesmente chamado de “Superman” (e depois denominado “Superman Contra o Cientista Maluco”) foi indicado ao Oscar de Curta-Metragem de Animação. Sobre o segundo episódio, “Superman Contra os Monstros Mecânicos”, há quem diga que a história teria influenciado o japonês Hayao Miyazaki  em uma cena de “Laputa: Castle in the Sky” (1986) e que “Capitão Sky e o Mundo do Amanhã” (2005) faz referência à animação.

Os cinco primeiros episódios estão disponíveis no DVD “Superman em a Humanidade em Perigo”, da NBO Editora, como parte da série de lançamentos Kids Collection.  A edição, que ainda traz os extras “A História de Superman” e jogos interativos, é um documento histórico e um belo presente para fãs do homem de aço.

A série dos anos 40

Kirk Alyn
Kirk Alyn

A Republic Pictures passou perto duas vezes na concepção de uma série live action do herói. Na primeira, por problemas de financiamento, o homem de aço foi substituído por “Mysterious Doctor Satan” (1940). Na segunda, em 1941, o barco naufragou graças ao editor, que almejava controle absoluto em roteiro e produção, e aos direitos que foram amarrados pela Paramount Pictures em sua série de animação.

Superman foi crescendo. Virou marca. Ícone da América durante a Depressão. Mas os anos se passavam e nada de um ator vestir o uniforme. Até Sam Katzman adquirir os direitos em 1947. Ele tentou vender a ideia à Universal, que não fazia seriados. Correu à Republic Pictures, ela de novo, e a empresa veio com a desculpa de que era impossível levar às telas um herói superpoderoso que voasse, apesar de ter realizado, em 1941, “The Adventures of Captain Marvel” (As Aventuras do Capitão Marvel). Então a Columbia Pictures aceitou o desafio.

Quem pensa que foi George Reeves, o Superman do famoso programa de tevê dos anos 50, o primeiro ator a usar o manto azul, se engana. A honra coube a Kirk Alyn (1910-1999), vindo do teatro e que fez pontas em filmes pequenos. Inacreditavelmente, o ator apareceu de cavanhaque e bigode para o primeiro teste. Egressa dos palcos, e com experiência em rádio e alguns filmes, Noel Neill (1920-    ) foi escalada para viver Lois Lane. E o ex-Little Rascals Tommy Bond (1926-2005) seria Jimmy Olsen.

supermankirk5A trama, dividida em 15 episódios, acompanha a chegada do protagonista ao planeta Terra, o primeiro emprego como repórter no Planeta Diário, o encontro com Lois e Jimmy e sua luta contra, pasmem, a vilã chamada Spider Lady (Senhora Aranha)! O clímax de cada capítulo deixava a brecha para o próximo, obrigando o espectador a voltar à sala de projeção na semana seguinte.

A obra rendeu elogios da crítica, grande bilheteria, alavancou as carreiras de Kirk Alyn e Noel Neil, porém não foi unanimidade entre os fãs, que reclamaram principalmente das cenas de voo, produzidas em animação. As tomadas com o herói voando foram reutilizadas à exaustão.

Como os recursos não eram tantos, os produtores se valiam da criatividade para dar vida à produção. Exemplo? A fantasia de Superman era cinza e marrom, ao invés de azul e vermelha, pois essas cores davam mais efeito na filmagem em preto e branco.

Uma continuação estava garantida e foi lançada dois anos depois. “Atom Man vs Superman”, também em 15 episódios, mostra o primeiro embate entre o último filho de Krypton e seu maior algoz: Lex Luthor. Quem fez o vilão foi Lyle Talbot (1902-1996), que já havia atuado numa adaptação dos quadrinhos para o cinema: a série “Batman”, de 1949, quando interpretou o Comissário Gordon.

http://www.youtube.com/watch?v=ooFpD9VNfAs

Após as duas séries, Kirk Alyn e Noel Neil seguiriam trajetórias diferentes. O ator recusou o convite para reviver o personagem na série televisiva dos anos 50, papel que acabou nas mãos de George Reeves. Em 1974, publicou a autobiografia A Job for Superman (Um trabalho para o Superman). Nunca mais teve destaque na mídia e, em 1982, atuou num curta chamado “Superbman: The Other Movie”, paródia de “Superman – O Filme” (1978). Neil aceitou a proposta e reencarnou a repórter. Ambos apareceriam rapidamente no clássico de Richard Donner, como os pais da jovem Lois Lane. E a atriz ainda faria rápida participação em “Superman – O Retorno” (2006), logo no início da trama, como a senhora que deixa sua herança para Lex Luthor.

A série de 1948 ganhou edição em DVD no Brasil em agosto de 2011.

Com o advento da tevê, Superman ganharia uma série de tremendo sucesso.

George Reeves

molemen-lois-supermanQuando os anos 50 começaram, a DC Comics planejou ampliar a presença do Super na mídia. Sendo sucesso na rádio e no cinema, faltava a televisão. A editora convidou o produtor de rádio Robert Maxwell para uma primeira temporada de 26 episódios. Porém, antes de aparecer na telinha, foi produzido um longa para o cinema, “Superman e os Homens Toupeira’ (1951). Nele, o herói é encarnado por George Reeves, ator forte, talentoso, que esteve em ‘…E o Vento Levou”.

O longa, com 58 minutos de duração e orçamento de US$ 275 mil, foi dirigido por Lee Sholem (que fez filmes do Tarzan) e leva Clark Kent (George Reeves) e Lois Lane (Phyllis Coates) a uma cidadezinha chamada Silsby, onde farão uma reportagem sobre a perfuração de um poço de petróleo. A trama, baseada na primeira HQ do herói, de 1938, é bastante diferente do que ficamos acostumados a ver nos demais longas do Super-Homem. A máquina de perfuração acorda uma perigosa raça de seres pequenos, que estavam dormentes no subterrâneo.

Apesar do filme, a série só conseguiu um patrocinador em 1953: a Kellogs. E o êxito foi rápido. Tanto que Reeves é, para as pessoas daquela geração, o Superman definitivo. Vale notar que seu Clark Kent não era desastrado nem inseguro. Pelo contrário: um jornalista determinado.

O seriado durou até 1958.  Em 16 de junho de 1959, Reeves foi encontrado morto por um tiro, e a polícia supôs tratar-se de suicídio. Contudo, há quem diga que o astro foi assassinado a mando de um todo-poderoso de Hollywood, cuja esposa teria caso com o ator. Tudo isso é retratado no filme  “Hollywoodland” (2006), com Ben Affleck no papel principal.

O ícone

superman the movie“Você vai acreditar que o homem pode voar”. Esse foi o slogan de “Superman – O Filme”, que em 1978 mudou a forma de se ver quadrinhos nas telonas. O homem de aço foi levado às telas por Richard Donner (“Máquina Mortífera”) no aniversário de 40 anos do personagem, com o então desconhecido Christopher Reeve no papel-duplo de Clark Kent e Super-Homem.

Até aquele momento, adaptações de quadrinhos para a TV e cinema não causavam as mesmas repercussões como hoje em dia, sendo que, memoráveis mesmo, só as séries clássicas de Batman e com o próprio Super, de George Reeves.

Para mudar a sina, Donner amparou Christopher Reeve com um time de primeira composto por atores consagrados: Gene Hackman (encarnando Lex Luthor, alguns anos após levar o Oscar por “Operação França”), Terence Stamp (que ficara famoso por “O Colecionador”), além daquele que frequentemente é considerado um dos melhores atores de todos os tempos: Marlon Brando. Na pele de Jor-El, pai do herói, ele levou a bagatela de U$ 4 milhões por apenas 15 minutos em cena – o maior cachê para uma ponta na história do cinema.

No elenco, merecem destaque também Margot Kidder, a jornalista e “affair” Lois Lane, além dos atores Jackie Cooper (fazendo o editor do “Planeta Diário”, Perry White) e Ned Beatty (o empregado e puxa-saco de Luthor, Otis). Outros méritos da produção e do diretor foram aproveitar o que havia de melhor nos quadrinhos, reproduzindo pela primeira vez, com decência, o voo de um personagem (com a deixa para o slogan citado acima); e aliar o sucesso comercial com o reconhecimento da crítica, conseguindo indicações ao prêmio da Academia nas categorias de Som, Trilha sonora e Edição, e faturando um Oscar especial de Efeitos Visuais. A obra ainda conseguiu um Globo de Ouro e um Grammy, pela maravilhosa e eternizada trilha sonora de John Williams (autor de, entre outras, “Star Wars”, “E.T.” e “Tubarão”).

O roteiro contava desde a origem do personagem, a destruição de seu planeta-natal Krypton, seus primeiros anos em Smallville, a chegada a Metrópolis, o início da relação com Lois Lane e o primeiro confronto com Lex Luthor. Tudo bem feito, misturando certa dose de humor, ação, drama e romance e, principalmente, sendo fiel aos quadrinhos. No roteiro (que trazia nomes de peso, como Mario Puzzo, autor de “O Poderoso Chefão”), a principal diferença era a morte de seu pai adotivo, Jonathan Kent (Glenn Ford). Entre cenas sensacionais, uma inesquecível é quando Superman gira o mundo ao contrário, para voltar no tempo e salvar a vida da amada, Lois. Superman começava a deixar seu nome na memória do público cinéfilo.

Já estava prevista uma continuação – algumas cenas do segundo filme, inclusive, foram rodadas durante as filmagens do primeiro por Richard Donner – e, ancorada pelo enorme sucesso do anterior e o grande prestígio do personagem, foi lançada em 1980, com o titulo (no Brasil) “Superman II – A Aventura Continua”. A maior parte do elenco foi mantida e a história surgia com mais ação do que sua antecessora, levando Clark a se confrontar com três kryptonianos banidos de seu planeta natal por Jor-El, e que buscavam vingança.

Outro fator que fez esse segundo longa manter o sucesso da série foi a descoberta da dupla-identidade do protagonista pela repórter, levando a relação dos dois ao romance e, do último filho de Krypton, a desistir dos poderes, saciando a vontade do imaginário popular. No final, ele simplesmente apagava a memória da moça com um beijo! Terence Stamp ganhou maior destaque no papel de Zod, um general tirano, disposto a governar a Terra, fazendo uma apologia às ditaduras da época. Richard Donner deixou a direção durante as filmagens por divergências com os produtores, sendo substituído por Richard Lester (famoso por dirigir “Os Reis do Iê-Iê-Iê”, dos Beatles). Anos depois seria lançada a versão original imaginada por Donner, em home vídeo, e que traz cenas diferentes da edição mostrada nos cinemas da época.

História quase manchada

"Superman III"
“Superman III”

Com o sucesso dos dois primeiros longas-metragens e com a franquia garantida (será?) um terceiro filme foi produzido (mantendo Lester na direção, sem participação de Puzo ou de Donner). E o pior aconteceu: um roteiro horroroso, atores canastrões e, inclusive, uma atuação meia-boca de Christopher Reeve fizeram a produção desandar de tal maneira que o filme parece fazer parte de outra série. Artistas como Margot Kidder, que atuaram nos outros episódios, figuravam apenas alguns minutos na história – boatos dão conta de que ela teria sido punida por ter se posicionado à favor de Donner.

Na trama, Richard Pryor (“Cegos, Surdos e Loucos”) faz um zé-ninguém que não quer trabalhar e vive de pequenos golpes e, por acaso, descobre ter grande facilidade para mexer com computadores. Auxiliado por um multimilionário interessado em manipular os negócios internacionais de café e petróleo, ele constrói um megacomputador para destruir o Super, única ameaça aos interesses da dupla criminosa. Algumas cenas até ficaram na memória, como a luta entre Clark Kent e Superman em um ferro-velho. Isso mesmo, o herói tem uma crise de identidade após ter contato com energia nuclear e briga contra si mesmo. Outras cenas são infelizes, como a em que ele “desentorta” a Torre de Pisa. Bizarro! Nem os quadrinhos foram lembrados, sem qualquer referência explícita, com exceção da participação da namorada de infância de Clark, Lana Lang (Annette O’ Toole, a Martha Kent no seriado “Smallville”).

http://www.youtube.com/watch?v=uNZBpg-YMLY Trailer de “Superman IV – Em Busca da Paz”

Depois da decepção de “Superman III” (que até a Framboesa de Ouro chegou a ser indicado nas categorias pior Ator Coadjuvante para Richard Pryor e pior Trilha Sonora), uma continuação era mais do que suspeita. E assim em 1987 estreava “Superman IV – Em Busca da Paz”, quando Lex Luthor (Gene Hackman, sempre dando autoridade ao personagem), através de um fio de cabelo do alienígena, cria o Homem-Solar – um ser com a mesma estrutura molecular e poderes do Super – para dar fim ao herói. A ideia era fazer uma crítica à guerra fria e a disputa nuclear – o próprio Christopher Reeve apoiou o projeto -, mas produzido por uma empresa de quinta categoria, repleto de efeitos visuais primários, o quarto filme da franquia pôs fim à saga do último filho de Krypton nas telonas. Ao menos era o que parecia…

Enquanto isso…

supergirlO projeto da Marvel de levar para o cinema o universo de suas HQs tem dado certo, bastante. No entanto, essa ideia não é inédita. Aproveitando o sucesso da franquia Superman, em 1984 foi produzido um filme da Supergirl.

Na trama, Kara-El (Helen Slater) vem a Terra e se disfarça como Linda Lee para tentar recuperar o Omegaheadron, a fonte de energia de seu atual planeta. O objeto, porém, está nas mãos da bruxa Selena (Faye Dunaway), que tenta utilizá-lo para conquistar o mundo.

Slater era gatinha, e sua caracterização é fiel aos gibis. O elenco ainda tinha gente como Peter O’Toole, Faye Dunaway e a ex-Mrs Woody Allen, Mia Farrow, mas o filme, feito com o intuito de arrecadar mais uns trocados na esteira do sucesso do primo kryptoniano mais famoso da heroína, é ruinzinho. Para se ter uma ideia, até O’Toole e Faye Dunaway não escaparam do vexame, recebendo respectivamente indicações ao Framboesa de Ouro de Piores Ator e Atriz.

Uma pena. O intuito era que Christopher Reeve fizesse uma ponta, estabelecendo “Supergirl” como filme dentro da franquia Superman. Ele aparece, mas só em foto. A tal participação ficou para Marc McClure, o Jimmy Olsen dos longas do Azulão.

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Entre 1988 e 1992, houve ainda uma série do Superboy, mostrando as aventuras de Clark Kent na época da faculdade. Roteiros ruins, dois atores canastrões (John Haymes Newton e Gerard Christopher) e efeitos visuais toscos fazem muita gente sequer lembrar do programa, que nem em DVD tem no Brasil (dá para assistir episódios dublados no YouTube).

Um (quase) novo Superman

"Lois & Clark - As Novas Aventuras do Superman"
“Lois & Clark – As Novas Aventuras do Superman”

“Lois & Clark – As Aventuras do Superman”, com Teri Hatcher (depois estrela de “Desperate Housewives”) e Dean Cain nos papéis principais, chegou a fazer certo sucesso, inclusive no Brasil, dando uma visão diferenciada ao legado do herói. A relação entre Lois e Clark, como dizia o título, foi o foco do seriado, mais comédia romântica que aventura, mas ainda assim interessante. Durou quatro temporadas (disponíveis em DVD).

Durante a espera por um novo episódio para o cinema, uma série televisiva recolocou o Super-Homem em evidência, mas de uma maneira completamente diferente do que já se havia lido ou visto. Em 2001, estreava “Smallville” que, a princípio, chocou o público por deturpar (ou recriar, como queiram) completamente a história original. Na série, a pequena cidade é bombardeada por meteoritos no mesmo dia em que Kal-El (antes de virar Clark Kent) chega a Terra, mudando a vida de todos na região.

“Smallville” trouxe mudanças. Kent é amigo de Lex Luthor (Michael Rosenbaum) e de Lois Lane (Erica Durance) antes mesmo de pensar em ir para Metrópolis, é apaixonado por Lana Lang (Kristin Kreuk) e enfrenta pessoas contaminadas pelo acidente. O uniforme só foi aparecer na última temporada. E o desfecho dividiu os fãs: o Superman era mostrado ao longe, quase desfocado.

Porém, os fãs dos filmes de Donner não tiveram apenas do que reclamar; afinal, algumas homenagens e citações foram feitas, como a aparição de Christopher Reeve na segunda temporada (encarnando um cientista, Dr. Virgil Swann), Terence Stamp (dando voz a Jor-El), além da já citada Annette O’Toole, agora vivendo a mãe de Clark, Martha Kent. A série acabou se tornando sucesso de público, e chegaram, inclusive, a cogitar o ator Tom Welling (o jovem Super da série) para “Superman – O Retorno”.

20 anos depois…

supermanreturnsAs adaptações de quadrinhos nos anos 90 estavam um pouco fora de moda, mas “X-Men – O Filme” (2000) deu novo fôlego ao interesse de produtoras e estúdios pelo gênero. Nessa onda, um novo filme do kryptoniano parecia uma boa pedida. Ideias e roteiros passaram pelas mãos de muita gente famosa, como o próprio Burton, que sonhava ter Nicolas Cage no papel principal, Kevin Smith (autor de um roteiro inspirado no episódio “A Morte do Super-Homem”, dos gibis) e, o até então pouco expressivo Brett Ratner (na época, lembrado apenas por “A Hora do Rush”, que depois faria “X-Men 3”), também cogitado.

Depois de quase dez anos de idas e vindas, o que fez parecer com que uma nova produção estivesse descartada, algo aconteceu: devido ao atraso da produção do terceiro longa da série mutante (que, ironicamente, ficou a cargo de Ratner), Bryan Singer abandonou o cargo e, para (boa) surpresa de todos, assumiu o projeto intitulado “Superman Returns”, convocando um ator desconhecido para o papel (Brandon Routh) e, à maneira de Donner, amparando o jovem com atores mais experientes, a exemplo de Kevin Spacey (Lex Luthor) e Frank Langela (Perry White). Foram dadas chances também para os novatos Kate Bosworth (Lois Lane, indicada para viver a personagem por Spacey, com quem contracenou em “Uma Vida Sem Limites”) e Sam Huntington (Jimmy Olsen).

O diretor decidiu não zerar a cronologia do Super no cinema (tal qual Christopher Nolan fez em “Batman Begins” em 2005), dando sequência à história após o segundo e ignorando os dois últimos e confusos episódios da série com Reeve. Mas “O Retorno” não foi bem nas bilheterias e dividiu a crítica.

Routh e  Bosworth foram considerados jovens demais para os papeis principais, a história foca muito mais o romance do que a ação e ficou provado que o Super-Homem é um herói fora de época. Num período em que heróis atormentados ou cínicos estavam dando as cartas no cinema (Batman e Wolverine), o público do século XXI não deu chance a um personagem sem defeitos, cavalheiro, honesto, sincero, escoteiro. O fato do Superman não trocar sopapos com ninguém também não ajudou.

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No entanto, é importante ressaltar que “Superman Returns” não é essa porcaria que muitos consideram. O filme custou cerca de US$ 200 milhões e rendeu o dobro ao redor do mundo, resultado aquém de um blockbuster protagonizado pelo principal super-herói dos quadrinhos. Se levarmos em consideração que “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008) arrecadou mais de US$ 1 bilhão… Além disso, conta com cenas espetaculares, como aquela em que o azulão salva um avião em queda, ou aquela em que ele, mesmo afetado pela kryptonita, se desfaz no espaço do continente rochoso criado por Lex Luthor. A metáfora para a jornada de Jesus Cristo e a inclusão de um filho para o herói são pontos interessantes na trama, mas que poderiam ter melhor desenvolvimento.

Ao ser entrevistado pelo site Voices From Krypton, Singer reavaliou seu trabalho. “Eu nunca falei muito sobre isso e é uma coisa difícil, porque tenho orgulho do que [o filme] é. Há muitos filmes meus que acho que foram fracos e que poderia ter feito melhor e sei os motivos. Mas em ‘Superman – O Retorno’… se eu voltasse a ele, faria um primeiro ato mais forte. Talvez abrisse com o avião ou algo assim”.

Os produtores decidiram não continuar com o mesmo time para um novo longa, e Christopher Nolan, diretor que revolucionou o Batman no cinema, entrou na jogada, ao lado do irmão John, prometendo dar vida nova ao último filho de Krypton nas telonas. Eis “Mano f Steel” em 2013…

Curiosidades: Fora as versões oficiais, há aparições do Superman um tanto diferentes.

A começar pelo filme indiano de 1987, que é praticamente um remake do longa de Richard Donner e tem as sequências musicais típicas do cinema produzido em Bollywood, com direito a dancinhas.

Há também dois curtas independentes bem legais.

“World’s Finest”, de Sandy Collora (responsável pelo cultuado “Batman Dead End”) é o “trailer” de um filme que reuniria o Super e Batman.

http://www.youtube.com/watch?v=J-yVEbQa3wk&list=PLA841415D265C0428 “World’s Finest”

“Grayson”, de John Fiorella, é outro trailer fake, sobre um longa do Robin, e traz aparições do personagem.

Ambos os curtas agradaram os fãs, autores das HQs e podem ser vistos no YouTube.

Em 1961, seria produzida uma série do Superboy, que não passou do episódio piloto.

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