Fim de Semana

Gustavo Dudamel
Gustavo Dudamel

Esta palavra tem tudo a ver comigo, com muitas das minhas melhores lembranças, com a fase áurea do desenvolvimento humano, que são a pré e a própria adolescência.

Fim de Semana é o nome do edifício, ali em São Vicente, debruçado sobre o mar e a baía que tem o nome da cidade.

É o nome do edifício onde passei boa parte das minhas férias de verão na pré-adolescência.

Dali vem inúmeras lembranças, algumas aflorando aos poucos, nas relembranças vindas da retomada de velhos contatos, de amizades nativas, de logo após-parto, como a amiga Sonia Maria, reencontrada graças ao magnífico caminho descortinado pela moderna área de comunicação e pesquisa, que interliga computadores e pessoas desde o mais remoto rincão destas terras sul americanas até os confins da Finlândia, como se a distância não mais existisse.

Perdi-me!

Devo refazer o traçado da viagem que me trouxe até aqui.

São nove horas desta sexta-feira chuvosa e quente e eu me levantei às sete quando pretendia dormir até mais não poder. Sentado à frente do computador em busco as informações necessárias para dar continuidade a estas linhas e não reencontro o rumo. Vou sair um pouco, voltar à sala de onde vim e ver se me recordo do objetivo inicial.

Vou, volto e agora percebo que nem precisaria ter saído daqui, pois o gancho, o princípio do caminho está no título, que também foi a razão de eu perder o fio da meada.

Sozinho em casa e tendo de esperar pelo “homem da luz”, acabei ficando na sala, onde o som da campainha é mais audível para essa minha já parca capacidade auditiva.

O parvo, o juiz venal e vingativo, alegou que a redução da minha capacidade auditiva, a nível menor que cinqüenta por cento, era devida à idade, quando eu ainda andava na flor dos meus quarenta e tantos anos.

Lá na sala eu resolvo desfolhar um caderno cultural que já andara folheando logo cedo, ainda no banheiro. Foi por ele que eu conheci um pouco sobre a fabulosa carreira e sobre o magnífico trabalho social que vem pondo em prática o jovem maestro Gustavo Dudamel, fruto de um admirável programa levado a cabo pelo governo da Venezuela, tendo como origem um projeto do maestro José Eduardo Abreu. Insiro apenas um parágrafo da excelente reportagem: “As pessoas sempre dizem: não temos os mesmos problemas sociais de seu país” (a Venezuela). Dudamel continua: “Bem, não estou falando de questões sociais com o mesmo sentido. A questão social é o jovem, o seu futuro e o acesso à cultura. Alguns países têm pessoas pobres e um alto grau de criminalidade. Em outros, os jovens estão cometendo suicídio porque não vêem um futuro para si…”.

Vale a pena ler um pouco mais sobre esse gênio da música e sobre o pensamento e ações sociais desse espírito em fase incomum de evolução.

Enquanto eu digitava essas primeiras linhas, houve três quedas de energia, desligando bruscamente o computador. Os ratos continuam em festa!

É por isso também, que eu continuo preferindo manuscrever os meus textos.

Vale a pena ler – é imperdível – a matéria sobre a trajetória de Hoffmann Elemér, seus trabalhos originais, seu objetivo primeiro, a necessidade de sobrevivência no mundo da arte, sua visão sobre o mercado e as falsificações de autores famosos, que o colocaram na condição de falsário procurado em todo o mundo, nas duas primeiras décadas da segunda metade de século XX, até o seu suicídio em 1976.

Antes de vir para cá e começar estas linhas, eu andava pela leitura de uma discussão sobre o que é rural e o que é urbano nesse Brasil tão imenso e ainda tão mal explorado pelos próprios brasileiros.

Procure ler “Eu & Fim de Semana”, atualmente o melhor caderno de cultura da adolescente e ainda atabalhoada imprensa tupiniquim.

E só aí você será capaz de perceber a enormidade de tempo que pode ser perdida defronte a um aparelho de televisão ou ouvindo o tam-tam-tam dos sons sem nenhum sentido lógico, racional e sensível.

Viva a leitura!

Viva a leitura, seja ela eletrônica ou impressa… Sem pressa!

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