Algumas questões sociais

mundomodernoAs sociedades humanas custam a evoluir e, em alguns casos, regridem porque não estamos aptos ou interessados na resolução das questões sociais de maior importância.

O socialismo apenas como doutrina não é caminho, mas uma trilha tortuosa que leva às dissensões entre os membros das sociedades dadas como organizadas ou aparentemente bem intencionadas

Reflito, relembro o pensamento do grande cronista Rubem Braga, a respeito do acúmulo de bens nas mãos de uns, tendo a miséria e a desesperança como companheiras constantes e inseparáveis da maioria: “Enquanto um homem for dono deste campo e mais daquele campo, e outro homem se curvar, jornada após jornada, sobre a terra alheia ou alugada, e não tiver de seu nem o chão onde vai cair morto – esperem a guerra. Ela explodirá – enquanto não explodir estará lavrando surda”.

O texto, de onde compilei este excerto, tem por título “Cristo Morto” foi escrito um ano antes de eu nascer e estes sessenta e oito anos passados só confirmam e reafirmam o pensamento e as observações nele contidas, pois a sociedade só tem feito regredir em termos de socialização ou de coletivismo.

Infelizmente, no mundo moderno as tendências extremas e a preparação dos jovens apenas para o ter, para a aquisição de bens materiais levam aos limites do individualismo e ao crescimento das perigosas e injustas diferenças entre os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, temporariamente iludidos por medidas políticas de fundo essencialmente demagógico em seu sentido mais pejorativo.

A maior parcela dos homens que têm em mãos o poder político ou financeiro, não se preocupa com o futuro da sociedade e nem com a paz essencial em um grupamento humano, pois querem apenas – da forma mais irracional – acumular os bens que a lógica e a inteligência (se houvesse) lhes diriam e comprovariam, que não iriam além da borda de seus próprios túmulos ou do pó espargido nos mares da vida.

O mesmo empresário que mal remunera um empregado ou um assessor pessoal de extrema confiança – a quem entrega a condução dos filhos e de outros membros da família – despende centenas de milhares de reais em um único relógio, que outra função não tem além da ostentação tola e fútil perante o semelhante. A mesma matrona que investe alguns mil reais em uma bolsa de grife, outros tantos milhares em um vestido e dezenas de milhares de reais em uma jóia que irá atopetar ainda mais a sua coleção de futilidades, acha desnecessário um ganho justo para o serviçal da sua mais total confiança; nas mãos do qual entrega a guarda da própria vida, a dos filhos e a dos netos.

Haverá quem não concorde, mas existe a certeza de que a sociedade trilha um caminho irracional e involutivo, que fatal e temporariamente sempre culmina em sangue inutilmente derramado.

 

2 thoughts on “Algumas questões sociais

  1. Boa Noite Carlos,

    Estava estranhando não ter o prazer e privilégio de ler palavras que induzem à reflexão. E, como já se tornou um hábito, salutar é claro, estarei repassando aos meus contatos.

    Abraços,

    M.Cecília

  2. Boa tarde, Maria Cecília!
    Sei que você me leu e escreveu à noite e eu afirmo que agora é meio de tarde, sem que saibamos de que dias.
    Felizmente o seu computador não tem falhado e eu acabo sempre tendo o prazer de poder compartilhar as minhas linhas, os meus pensamentos e as minhas reflexões com você.
    Só posso agradecer, mesmo desta distância física, a sua participação e o compartilhamento que faz do meu trabalho (prazer) com os seus contatos.
    Receba o meu fraterno abraço,

    Carlos.

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