Aliás, eram duas… Ou mais

vaidadeComo da outra feita, hoje eu também fui ao Gonzaga para os mesmos fins. Novamente fui muito bem recebido nos Correios; no banco, o atendimento foi “automático”…No caixa automático.

Apesar do título semelhante e dos mesmos locais, nesta Croniqueta não há ciclistas, pequenos bandidos e nem as senhoras de corpo avantajado, mas há outras figuras que merecem atenção e comentários.

Ao menos duas delas – a idiotia e a vaidade – merecem observação e análise.

Eu espero que você me acompanhe, mesmo que discorde e espero que não se cale, pois o objetivo primordial é analisar, raciocinar e discutir, embora isto talvez não nos leve a nada mais que à manutenção da nossa capacidade de observação e de análise.

Cheguei de volta à minha casa e abri a revista de domingo, que esperava por mim há alguns dias e começo pela leitura (um passar de olhos) da entrevista que tem como título “Bem-Vindo ao Futuro”. Uma triste mostra da idiotia crescente que ataca o homem moderno, carregada no colo da vaidade e talvez de outras de suas companheiras ou afins.

Com toda a tecnologia em desenvolvimento, com todas as pesquisas em várias áreas do conhecimento humano, o homem ainda padece – até de forma crescente – de moléstias fatais, de doenças incapacitantes e de males que minam gradativamente a saúde de todos aqueles que devem conviver às vezes durante anos ao derredor da vítima, vendo-a perder pouco a pouco a capacidade de raciocínio, de conhecimento e de controle de suas necessidades mais básicas.

Doenças antiguíssimas, como a dengue, a maleita e a tuberculose estão por aí, por aqui e acolá fazendo suas vítimas diariamente, mas os cientistas, talvez os mesmos que se propõem “criar” o homem imortal – dentro de vinte ou trinta anos – não conseguem ou não se interessam por estudar e encontrar meios eficazes de combate a esses males.

Agora, vamos comentar as propostas, mirabolantes propostas para driblar a natureza e permitir a vida eterna ao homem físico. E com visual jovem – dizem eles.

Vão acabar com o Botox, vão dispensar o Viagra, acabar com todas as doenças e fechar os hospitais que não estejam se dedicando ao desencarne opcional.

A proposta também inclui a criação de robôs similares ao homem e computadores mais inteligentes que a raça humana. Vão fechar os postos de trabalho (isto já é uma realidade) e o homem passará a viver de brisa, com sombra e água fresca ou das pílulas que eles prometem, mas não dizem se serão gratuitas.

A realidade aí está para nos mostrar o que pode o homem, quando é tomado pela extrema materialidade e pela vaidade sem limites, perdendo a humildade, a capacidade de raciocínio e de percepção.

Depois desta, “ELES” vão dizer que a Mãe Natureza é uma farsa e irão até querer aposentar a Divindade Maior, pois eles – os idiotas e os vaidosos -pretendem assumir o Seu lugar.

Pelas propostas e promessas Deles, o homem vai poder viver até quando quiser e a morte será apenas uma escolha.

Provavelmente um contrato entre as partes conterá a cláusula de opção por uma médica experiente nesse serviço, que poderá talvez ser feito pelo SUS.

Vai ser um deus-nos-acuda!

6 thoughts on “Aliás, eram duas… Ou mais

  1. Prezado Carlos,

    Suas observações sempre lúcidas, trazem um alento que nem tudo está perdido nesse mundo tão material. Vejo esses cientistas, como os “anjos invejosos do poder do Pai Eterno”.
    Abraços

  2. O futurismo está mais para o filme No mundo de 2020 (que já está chegando). Com Charleston Heston e o excelente Edward G. Robinson (foi seu último filme). A seguir uma sinopse do filme do site Adorocinema.
    “Em 2022 a face da Terra está bem modificada. Em Nova York há 40 milhões de habitantes e o efeito estufa aumentou muito a temperatura, deixando o calor ficar quase insuportável. No entanto os ricos vivem em condomínios de luxo, onde belas mulheres são parte da mobília. Mas a comida está escassa para todos, tanto que um vidro de geleia de morango custa 150 dólares. Neste contexto é assassinado um milionário, William R. Simonson (Joseph Cotten), que quando viu que seria morto não esboçou gesto nenhum para se defender. O detetive Robert Thorn (Charlton Heston) é designado para investigar o caso e constata algo realmente estarrecedor.
    E o Gama sempre presente nos incitando a pensar.

  3. Caro Gama, quanto a mim, na primeira pessoa do singular, dispenso a vida longa, quase eterna. O importante, como disse nas entrelinhas o amigo, seria garantir uma vida saudável para todos nós (ou a maioria), aí sim na primeira pessoa do plural. Somente a um Ser maior cabe decidir a hora de partirmos. Mas, enquanto isso não acontece, todos têm direito de viver com qualidade.
    Parabéns. Forte abraço. Bonat

  4. Maria Cecília
    Minha cara amiga e leitora fiel; nem tudo está realmente perdido, mas que a coisa anda feia, isso anda.
    O homem parece muito influenciado pelos “Anjos Caídos”, quer assumir o Poder Supremo a todo custo e isto ainda vai nos custar muito caro.

  5. Alvíssaras, meu caro Jansen!
    Feliz retorno!
    Andava preocupado que não retornasse mais dessa volta ao mundo em quarenta dias. Preocupado que houvesse encontrado outras plagas e nos abandonado nessa caravela carcomida pelos cupins que teimamos eleger como nossos representantes.
    Algumas obras cinematográficas antecipam as loucuras que podem acometer o homem à medida em que acha que evolui.
    Nada melhor que pensar e tentar ver as trilhas por onde nos conduzem ao abismo.

  6. Também dispenso a vida longa, Bonat, mas gostaria que ela fosse saudável até o final. Entretanto, esta decisão não nos compete e não creio que os “sábios” consigam assumir o controle da vida.
    Agradeço a leitura, a análise e o comentário.

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