Mar adentro

mare-2Nas margens do meu rio, Eu nado para me afogar. Quero que a correnteza me leve pra longe, quem sabe por um milagre, me leve para o mar. O meu mar.

O meu mar de coisas, cheiros, lembranças. O mar seco dos beijos molhados da minha infância. Minha piscina particular de mergulhos de apneia prolongada. De banhos debaixo do sol que não provocavam câncer, mas alegria.

Se tiver maré, melhora. Tenho por água o que tenho por vida e não assimilo bem a diferença entre ambos. Bato pernas e braços, espalho tudo do meu lado para que cada vez mais eu fuja da fonte. Tudo o que promete ser puro demais é veneno!

Água por todos os lados. A sede resseca a boca úmida com palavras secas. No horizonte vejo um fim. Um final de mim que não sei se acredito por gosto ou por conformismo mesmo. Exaustão. Mas aqui , além de água , tem ar. Muita , muita vida para respirar.

Não me afogo de ruim que sou. É que me considero um cara profundo. Sempre me assustou aquilo que é raso.

Foi colunista da extinta revista digital Acerto Crítico, do ano de 2000 até seu término em 2006. Foi colunista fixo dos blogs Jovem Repórter e CulturaNI , onde abordava cultura pop, música, cinema e cotidiano cultural da Baixada Fluminense. Escreve contos no seu blog pessoal “Se Nada Mais Der Errado”. Colabora com o CineZen desde 2010. É roteirista por formação – e, por orgulho – da HQ “Cotidiano”, pela editora “Maustouche”. Escreveu o roteiro dos curtas-metragens ” Ainda bem que estamos aqui” e ” Se nada mais der errado”. É autor de “Pequenos botões e grandes blusas”, distribuído digitalmente de forma gratuita.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *