1974 – Red Riding, de David Peace

1974Edward Dunford é um jornalista policial do Condado de Yorkshire na Inglaterra nos anos 70. No final de 1974 consegue sua primeira grande cobertura, envolvendo um caso de assassinato entre irmãos, o que o leva a ficar conhecido na região e o faz prospectar um futuro melhor. Porém, nem tudo são flores e seu pai falece na mesma época e um caso brutal envolvendo a morte de uma garotinha que teve asas de cisne costuradas nas costas, bate a porta e mexe radicalmente com o possível futuro.

Lançado originalmente em 1999 no Reino Unido, o livro “1974 – Red Riding” é o primeiro de uma série de quatro que tratam sobre assassinatos impetuosos neste território inglês. Aqui no Brasil chega esse ano, através da Benvirá, um selo da Editora Saraiva. Com 448 páginas e tradução de Rodrigo Peixoto, é a partida inicial para entrar no universo imaginado pelo escritor David Peace, um universo onde palavras como perdão e cortesia fazem pouco sentido diante do poder do dinheiro.

Essa série já foi adaptada para o cinema em 2009, trazendo Andrew Garfield (o novo Homem Aranha) no papel do jornalista. No entanto, saiu aqui no Brasil direto em DVD e não causou praticamente emoção nenhuma. David Peace também escreveu “The Damned Utd” (ainda inédito por aqui), que narra as desventuras de Brian Clough à frente do outrora glorioso time de futebol Leeds United e que também virou filme com Michael Sheen no papel principal. E nesse caso específico, um bom filme.

Mas voltando ao livro em si, ele apresenta Edward Dunford dentro do contexto exposto no primeiro parágrafo e entre 13 de dezembro de 1974 e a véspera de natal daquele ano, o insere um dentro de um jogo de gato e rato, onde nada se apresenta gratuitamente e fica absolutamente fácil se perder na enormidade de interesses hostis e informações falsas. O jornalista está em um redemoinho composto por álcool, violência e sexo e nem mesmo percebe que está se afundando mais e mais.

Utilizando uma narrativa versátil e veloz, David Peace deixa o leitor confuso e desnorteado, tanto quanto o personagem principal. Tendo o Reino Unido dos anos 70 como pano de fundo – e aqui se entenda música (Elton John e David Bowie são referências constantes) e política – ele consegue se distanciar da vala meio comum dos romances policiais e apresenta algo que se por um lado não é extremamente novo, por outro apresenta muito vigor e nenhum pudor para expor as piores facetas da humanidade.

Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *