Astronauta Magnetar, de Danilo Beyruth

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Em setembro de 2009, a Panini resolveu homenagear os 50 anos de carreira de Maurício de Sousa. A primeira tirinha dele foi publicada em 18 de julho de 1959 e a editora que trabalha com a Turma da Mônica nos últimos anos resolveu prestar um tributo a sua obra. Para tanto, chamou diversos artistas que participaram dos álbuns “MSP 50”, “MSP+50”, “MSP Novos 50” e “Ouro da Casa”. Dentre as criações de Maurício, o Astronauta foi um dos mais visitados. Nomes como Fábio Moon, Gabriel Bá e Renato Guedes fizeram suas versões do personagem lá em 2009.A recepção de público e crítica foi tão boa que deu a origem a um selo chamado “Graphic MSP”, onde os personagens de Maurício de Sousa ganhariam versões em álbuns maiores, em histórias mais amplas, com um maior direcionamento também para o público adulto. O primeiro filho desse interessante projeto é “Astronauta Magnetar”, escrita e desenhada pelo paulista Danilo Beyruth (da premiada “Bando de Dois”), com cores de Cris Peter. O formato é grande (19×27,5cm) e conta com 82 páginas, incluindo textos explicativos e esboços de desenhos.
Na trama desenvolvida por Danilo Beyruth, o Astronauta aparece lidando de maneira conflituosa sobre a solidão a que se designou em troca das aventuras espaciais, em troca de conhecimento. Lembra-se do avô no começo e em determinado momento mais adiante vê amigos, família e a amada Ritinha refletidos na sua frente. A solidão, que sempre foi companheira nas histórias da Turma da Mônica, aqui aparece amplificada. Quando ele erra e bota a vida em risco na busca de estudar um fenômeno chamado magnetar, essa solidão chega com tudo.
No meio do nada (literalmente), o Astronauta precisa de toda força para não enlouquecer. É um náufrago em pleno espaço e para sair desta desconfortável e desesperada posição tem que usar seu intelecto e espírito aventureiro. Com a ajuda de cores fortes e proporcionando uma bela junção entre quadrinhos e roteiro, Danilo Beyruth coloca o leitor dentro do jogo, dentro do pequeno cosmo de angústia que o personagem está inserido. Drama e aventura andam lado e lado e mostram autoridade para agradar os leitores mais jovens, como também o público adulto.
Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é...