A Máquina de Goldberg, de Vanessa Barbara e Fido Nesti

A vingança é um prato que se come frio, afirma o velho dito popular. Ao ler “A Máquina De Goldberg” é fácil lembrar-se dessa antiga frase. O álbum em quadrinhos é o primeiro de um novo projeto da editora Companhia das Letras, através do seu selo Quadrinhos na Cia., que é inteiramente dedicado à nona arte. Esse projeto visa reunir escritores e desenhistas relativamente novos. A estreia fica nas mãos da jornalista Vanessa Barbara (“O Livro Amarelo do Terminal”) e do ilustrador Fido Nesti (“Os Lusíadas” em quadrinhos).

O roteiro de Vanessa Barbara acompanha um menino gordinho, fã de punk rock e sem muito traquejo social na estadia em um acampamento de férias chamado carinhosamente de “Montanha Feliz”. Getúlio (o garoto em questão) não está muito a vontade com essa verdadeira missão, onde além de suportar todas as zombarias dos colegas de classe, também tem que lidar com a perseguição implacável do professor de educação física e responsável pelo acampamento, um ex-militar e ex-boxeador nada confiável.

Em meio a luta pessoal para “sobreviver”, Getúlio invade a casa do zelador do acampamento, um senhor estranho e calado de nome Leopoldo, que guarda alguns segredos. Entre esses segredos está a dedicação espartana em criar máquinas de Goldberg, assim conhecidas por transformarem rotinas banais (como abrir uma porta, por exemplo) em complicados sistemas de evolução. Esse tipo de projeto foi imaginado há mais ou menos uns cem anos atrás pelo cartunista e inventor estadunidense Rube Goldberg (daí o nome).

Para uma máquina de Goldberg ser realmente interessante, tem que conter as junções mais absurdas possíveis. Amostras disso nós podemos ver na abertura do seriado infantil “Castelo Rá-Tim-Bum” (vídeo aqui) ou mais recentemente em um comercial caprichado da Red Bull (vídeo aqui). No caso da obra em questão ela inclui dezenas de bugigangas se intercalando e serve não somente como uma grande personagem coadjuvante, como a via que proporcionará a vingança esperada por Leopoldo e, por conseguinte, Getúlio.

“A Máquina de Goldberg” trata sobre adequação e comportamento juvenil e traz a vingança para fazer parte como condutora das motivações. Com uma premissa inicial boa (apesar de comum), o trabalho se perde no meio do caminho e acaba não convencendo por completo. Isso ocorre principalmente devido à mistura (sem explicação aparente) na identidade dos personagens, variando características estrangeiras e nacionais, assim como pelas medianas soluções encontradas para elaborar o desfecho.

Leia um trecho no site da editora:
Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *