Os 30 anos de Thriller, de Michael Jackson

Qual o grande astro pop da música atual? Você caro leitor, conseguiria dizer algum artista, ou banda, que no momento gera frenesi entre pais e filhos em todo o mundo? Não? A garotada é fissurada em Justin Bieber. Os jovens dividem-se em tantas tribos que dificilmente algum artista consegue agradar a todos. Os adultos então…

Já aconteceram alguns poucos casos de artistas que arrebataram corações e mentes ao redor do globo. Elvis foi um. Sim, também teve a beatlemania… E depois disso, talvez apenas Michael Jackson tenha realizado o feito de aliar reconhecimento da crítica e números exorbitantes em vendagens, músicas nas paradas de sucesso e fazer a alegria de várias gerações ao mesmo tempo.

Ok, ok, podem falar da Madonna, do Nirvana, Backstreet Boys, etc, mas o sucesso dessa gente não passou nem perto.

O ano foi 1982, auge do vinil, e o disco se chamava “Thriller”, álbum seminal cujo lançamento completou três décadas nesta sexta, 30 de novembro.

O disco de Michael Jackson sacudiu a indústria fonográfica durante dois anos, entre 82 e 84, como jamais havia acontecido. Alcançou recordes impressionantes, que duram até hoje: o álbum mais vendido da história (104 milhões de cópias), o que ficou mais tempo em primeiro lugar (132 semanas), o que teve mais singles de sucesso (7 faixas no top 10), o mais premiado (97 prêmios, incluindo 8 Grammys), o disco internacional mais vendido no Brasil e o clipe mais bem-sucedido (14 milhões de cópias do vídeo da faixa-título foram vendidas em VHS).

| Michael Jackson’s This is it
| Sobre o adeus ao Rei do Pop

Mas “Thriller” merece ser celebrado não apenas por seus números. Michael Jackson e o produtor Quincy Jones passaram meses no estúdio burilando as canções, e deram à obra um acabamento inigualável, colocando rock no R&B. É só contar as participações especiais: Paul Mcartney canta em “The Girl Is Mine”, o guitarrista Eddie Van Halen eternizou o solo de “Beat It” e até a banda Toto (que não é lá essas coisas, mas estava em alta com QJ na época) participa em “Human Nature”.

http://www.youtube.com/watch?v=sOnqjkJTMaA “Thriller”

Como resultado, a obra também quebrou barreiras raciais. Em março de 1983, a MTV veiculou o clipe de “Billie Jean” e o passo “moonwalk” virou febre em todo o mundo, dançado por adultos e crianças. Assim, MJ abriu espaço para artistas e música negros, até então segregados da TV e da mídia pop.

Os videoclipes foram um frenesi a parte, revolucionários, substituíam as colagens de imagens tão comuns até então para investirem em enredos dignos de cinema como “Billie Jean”, “Beat It” e principalmente “Thriller”. Neste último caso, o clipe é um curta-metragem de 14 minutos gravado em película, orçado em US$ 600 mil, dirigido por John Landis, cineasta responsável por “Um Lobisomem Americano em Londres”.

Depois, Michael ainda fez o excelente “Bad”. Na capa do disco já dava para notar a mudança de fisionomia, o nariz mais fino e a pele mais clara. Em pouco tempo ele mudaria totalmente de cor e passaria a ser manchete mais por suas polêmicas do que pelos lançamentos musicais.

http://www.youtube.com/watch?v=oRdxUFDoQe0 “Beat It” 

“Thriller”, entretanto, jamais perdeu seu lugar na história. Sua influência ecoa até hoje, desde o pop de Justin Timberlake ao funk eletrônico do duo Mitchel Brothers (apadrinhado pelo queridinho da cena dançante inglesa Calvins Harris). Até o roqueiro Chris Cornell costumava entoar uma versão lenta de “Billie Jean” em seus shows.

Nos aniversário de 25 anos do disco, foi lançada uma edição especial com capa holográfica, e que inclui faixas-bônus como “Someone In The Dark”, “Carousel”, o demo de “Billie Jean” e os bastidores da locução de Vincent Price para a faixa-título, mais remixes (versões bem inferiores às faixas originais) de Fergie, Akon, Will.I.Am e Kanye West.

No documentário “Michael Jackson’s This is it”, lançado após sua morte com cenas daquela que viria a ser a turnê de retorno do astro, é possível perceber a importância de “Thriller” em sua carreira: a síntese de um artista completo.

http://www.youtube.com/watch?v=Zi_XLOBDo_Y “Billie Jean”

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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