A Diferença Entre as Vítimas

Incomoda-me sobremaneira a observação crítica que faço (é inevitável) de alguns temas, da ação direta dos participantes ou do alheamento de outros, que nem sempre serão revistos e nem mostrados pela história.

Políticos – alheios aos problemas da sociedade que deveriam representar ou coniventes com os autores e com as tropelias oficiais – permitem que a violência, o desassossego e até morte se aproximem dos cidadãos da cidade, sem que mexam um dedo sequer em sua defesa, mas os mesmos homens públicos se engalanam e se promovem abertamente quando meio século depois “chovem no molhado” da história.

Agora, quase cinqüenta anos depois da partida do navio Raul Soares, os políticos daqui requerem que a comissão instalada para esse fim específico, apure o que ocorreu em Santos, naquele episódio.

Esses mesmos “homens públicos” que ora alardeiam ação em defesa de pessoas que agiam conscientemente e cuja maioria já desencarnou, hoje silenciam conivente e covardemente quando grupos econômicos invadem a cidade, dão fim às “receitas”, ao sossego e à saúde de cidadãos que nada mais fizeram que nascer, crescer, trabalhar, votar e continuar morando aqui.

Quando, por exemplo, um Miro ou um Maneco qualquer estiver dentro de um esquife, com o velho coração safenado, totalmente parado, muito por conta desses desmandos todos de que somos vítimas diárias, o que será que dirão os representantes dos eleitores…Se é que dirão, se é que a história de mais este período negro da cidade contará as verdades.

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