Four – Bloc Party, 2012

Sabe aquelas maravilhosas pílulas contidas em livros baratos de auto-ajuda? Pois é. Os londrinos da banda Bloc Party se utilizaram de uma dessas para elaborar o novo álbum da carreira, aquela que diz que: às vezes é preciso dar dois passos para trás, para que se possa seguir em frente. E foi olhando para os anos de 2004 e 2005 que o quarteto conseguiu adiar seu atestado de óbito e manter-se vivo, mesmo ainda sem estar plenamente recuperado.

Depois de bons EP’s e uma ótima estreia (“Silent Arm” em 2005), veio um segundo álbum que apontava para outros caminhos, mas mantinha uma parte da qualidade (“A Weekend In The City” de 2007). Só que esses novos caminhos não foram percorridos devidamente e resultaram no sofrível “Intimacy” de 2008, onde a eletrônica marcava presença de modo relevante e a inspiração parecia ter saído para fumar um cigarro e não retornou mais.

“Four”, não casualmente, chega depois de quatro anos do último trabalho, assim como atravessa um pavilhão de boatos que indicavam o fim. Kele Okereke (vocal e guitarra), Russell Lissack (guitarra), Gordon Moakes (baixo e vocais) e Matt Tong (bateria) absorveram toda essa boataria do jeito que deu e com a ajuda do produtor Alex Newport resolveram retornar para as coisas simples da sonoridade inicial e assim mostrar energia e boas canções.

Exemplos dessas boas canções são “Octopus”, com um estilo indie rock mais tradicional e boa melodia, como também a pesada “Kettling” com uma guitarra gritando ao fundo e “V.A.L.I.S” com um refrão para cantar junto e balançar o corpo. Na linha mais suave e tranquila, a banda que já fez músicas como “I Still Remember” apresenta “Real Talk”, “The Healing” e principalmente “Truth”, um casamento feliz de vocal, melodia e ritmo.

Mas “Four” não é um disco somente de acertos. Esse retorno às raízes não é completo e cobra seu preço em faixas medonhas como “Coliseum” (emulando o grunge) e “Team A”. As letras – outrora, um dos pontos fortes – trazem pouco brilho que ficam em faixas como “3×3” que versa sobre redenção e a porrada rápida de “We Are Not Good People” que fecha o disco falando de aceitação, religião e crescimento, temas tão comuns a Kele Okereke.

Entre as diversas versões “deluxe” com bônus que foram colocadas no mercado (o que parece ter virado uma moda sem relevância comprovada), “Four” é um disco que nas suas doze faixas procura apagar as ideias ruins do passado ao optar por não investir mais em experimentações, buscando assim recolocar as coisas no eixo em que se encontravam tempos atrás. E o bom disso é que consegue esse objetivo, apesar de não ser excepcional.

P.S: Um dos bônus é “Mean” que lembra muito, mas muito mesmo a melodia de “The Killing Moon” do Echo And The Bunnymen.

http://www.youtube.com/watch?v=Rk-J1zT7TfQ O videoclipe de “Kettling” 

Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é...

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