Neck Of The Woods – Silversun Pickups, 2012

Uma entrada climática. Um ritmo que cessa, depois recomeça, só para cair e subir completamente de novo. Assim é “Skin Graph”, a música de abertura de “Neck Of The Woods”, o terceiro álbum do Silversun Pickups lançado este ano. Para quem já conhece o trabalho do grupo dos registros anteriores (“Carnavas” de 2006 e “Swoon” de 2009), nada pode parecer mais familiar. Lá estão basicamente as mesmas texturas guiadas por uma conhecida fórmula.

No entanto, ao escutar atentamente as onze faixas com uma hora e pouco de duração, percebe-se que Brian Aubert (vocal e guitarra), Nikki Monninger (baixo), Joe Lester (teclados e sintetizadores) e Christopher Guanlao (bateria) começam a querer um caminho um pouco diferente. Um caminho mais pop, com menos guitarras e distorções, mas sem abdicar das longas faixas (quase todas de 5 minutos em diante) e do nível de experimentalismo que utilizam.

Essa mudança é notada logo na produção, que ficou com Jacknife Lee (U2, R.E.M). A banda passou dez semanas no estúdio dele em Topanga na Califórnia, USA, e lá cunhou a maioria do registro ajustando algumas canções antigas e elaborando novas composições. É visível que essa lapidada no som é para alcançar públicos maiores, renegando um pouco os trajes da sonoridade, como Aubert afirma em “Skin Graph” dizendo que está de pele nova e pronto para usar.

Esse teor mais pop é confirmado na faixa de trabalho “Bloody Mary (Nerve Endings)”, que apesar de usar um ar meio progressivo no início, depois contrapõe isso com o vocal especificamente frágil e desesperado, que busca o alívio pressuposto pela letra envolto em uma doce melodia. Outra faixa que comunga bem da mesma febre pop é “Dots And Dashes (Enough Already)”, porém essa febre é instável e não cai bem sempre (vide “Gun-Shy Sunshine”, por exemplo).

Outros bons momentos são “Make Believe” que traz a bateria já característica da banda e “Here We Are (Chancer)”, uma quase-balada com eletrônica que versa sobre perda. Essa eletrônica aparece novamente em “The Pit”, flertando de modo descarado e dançante com os anos 80. Anos 80 que também serve de base para “Simmer” – a mais longa do disco – que surge cheia de perguntas e com variações um pouco mais experimentais, além das habituais camadas de guitarras.

Desde o primeiro EP de 2005 (“Pikul”), o Silversun Pickups se mostrou promissor e confirmou isso logo na estreia com um excelente disco. “Neck Of The Woods” é um trabalho de transição, que opta por ajustar a vestimenta externa, mas não trocar a fórmula-essência das canções que começam calmas e depois explodem, mantendo esse círculo vicioso até o fim. É um registro de razoável para bom, que deixa as apostas positivas dessa mudança para o próximo trabalho. É pagar para ver.

http://www.youtube.com/watch?v=NxSWj5bou9M Videoclipe de “Bloody Mary (Nerve Endings)” 

Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é...

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