Dificuldade de Escolha

Todas as manhãs e também à noitinha eu pego o meu cachorrinho de estimação e vou dar uma voltinha com ele, que vai alegre, saltitando, fazendo xixi pelas beiradas dos muros ou na mureta do canal; quando sente vontade, também faz cocô na calçada. Ele é uma gracinha!

Depois, nós voltamos para casa, porque eu tenho as minhas atividades usuais que, além do trabalho, incluem acompanhar o movimento do mundo e a política, que anda um nojo só. Corrupção por todo lado, trocas de favores, denúncias de desvios de verbas, “compras de consciência”, como disse recentemente um velho pensador (esta expressão está totalmente equivocada, porque consciência não se compra, retribui-se no máximo a ausência dela).

O país está de cabeça para baixo, ninguém respeita ninguém e aquele malandro, da loja de 1,99 continua dizendo que não tem troco; é sempre a mesma coisa. Mas, ontem, lá na padaria, a vingança se deu,  o gajo se danou, porque estava um movimento intenso, ele acabou errando e me deu dois reais a mais. Bem feito! Eles sempre tiram vantagem indevida e é essa a hora do retorno. Um velho ditado dizia alguma coisa a respeito de ladrão que rouba… Eu não dou mais moleza, não. Se bobear, na fila, eu também passo na frente, como quem não quer nada. O pessoal, em geral, tem vergonha de estrilar e eu vou indo, vou tocando o meu barco.

Hoje, então, vai ser uma correria só, porque tenho, além dos passeios com o Nero, inúmeras outras atividades; todo o domingo é assim mesmo. Se fizer sol, eu vou dar uma caminhada nos jardins da praia, com meu cachorrinho, naturalmente, porque somos inseparáveis. Na volta, eu tenho de colocar o lixo na rua, porque ele azeda com esse calor e não dá para agüentar até segunda à noite, quando passa o pessoal da coleta. Tenho também de levar o velho armário e colocá-lo na calçada, para que o pessoal do cata-treco recolha durante a semana (eu até me esqueci de telefonar e solicitar que recolham, mas faço isso amanhã), porque ele está que é só cupim.

Levei um susto, anteontem, quando atravessava a avenida e quase fui atropelado por um ciclista irresponsável.  Eu vinha vindo e, quando estava junto ao meio-fio, o sinal abriu para os pedestres. Bem na hora – pensei eu – porque posso atravessar mais sossegado. Olhei para o lado de onde flui o trânsito (o lado da Praça da Independência) e pode vir algum motorista que não respeita semáforo nas travessias de pedestres e, depois, para o lado oposto, porque aquele ponto de cruzamento da Marechal Deodoro é dos piores e, não raro vem algum ciclista na contramão, que vai para cima do pedestre, na faixa de segurança. Segurança, pois sim! Ninguém respeita mais nada, ninguém fiscaliza nada, também. O país é a imagem do caos. E, falando em caos, as eleições estão chegando sem que eu tenha escolhido em quem votar. Apesar de quê, nenhum candidato demonstrou ainda a plataforma de campanha e nem sei qual vai ser o mais interessante para o meu trabalho ou para as minhas pretensões. Anda cada dia mais difícil para o cidadão escolher representantes, porque a maioria não vale quase nada.

O que andará acontecendo com a política para não conseguirmos eleger pessoas de boa índole, que nos representem?

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