Tudo Pode Mudar, de Jonathan Tropper

Em uma balada do disco “Analogue” de 2005 chamada “Birthright”, Morten Harket do A-ha canta, depois de algumas considerações sobre a vida, que “tudo muda com o tempo”. Assertiva simples e até mesmo banal, mas que é passível de ser empregada como uma trilha sonora imaginária de um livro do escritor Jonathan Tropper, lançado este ano pela Editora Arqueiro (um espécie de braço da Sextante) com 230 páginas e tradução de Simone Reisner.

“Tudo Pode Mudar” (“Everything Changes”, no original), foi escrito antes de “Como Falar Com o Viúvo”, a divertida obra do autor que saiu por aqui em meados de 2010, e exibe muitas coisas em comum com essa, como a auto-piedade do personagem principal e a inquietação contínua referente ao rumo que a vida tomou, além do fato que ambos distribuem suas incertezas rodeados em um conforto de moradia e despesas cotidianas.

No livro, Zachary King passou recentemente pelos 30 anos e tem mais ou menos a vida encaminhada. Um trabalho razoável (apesar de desestimulante) e um noivado com uma bela e inteligente mulher. Porém, por trás disso residem coisas mais nubladas. Primeiro a família despedaçada, desde que o pai foi despejado pela mãe por causa de adultério, e em segundo a morte do melhor amigo em um acidente de carro, que ainda lhe enche de culpa.

Mas ainda que essas incertezas encham o peito de Zachary King, tudo continua caminhando praticamente do mesmo jeito, até que um turbilhão de situações se encontram e dão ínicio as mudanças que o título se refere (até um possível câncer resolve aparecer). Com um bom desenvolvimento dos coadjuvantes, o autor faz que com que o livro sobreviva bem sem precisar tanto do carisma (quase inexistente) que o protagonista exibe nas páginas.

“Tudo Pode Mudar” utiliza a premissa de contar pequenas tragédias de maneira leve, ocupando o espaço com circunstâncias constrangedoras e passagens cômicas. Escondido nessa premissa está o propósito de mostrar que toda hora é hora para se tomar decisões que alterem uma vida que não está fazendo bem, mesmo que isso não seja necessariamente bom a curto prazo. Parece trivial, mas a vida real nem sempre é fácil como uma canção. Ou um livro.

Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é...

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