Ração

Preocupadíssimos com a perpetuação ou com a política futura – velho trampolim – aqui em Santos há dirigentes sindicais combatendo a transparência na gestão da coisa pública; há até quem prometa entrar com mandado de segurança para impedir a divulgação nominal e ganhos do pessoal da CODESP (Porto de Santos), por conta dos riscos de violência contra esses funcionários.

Não deixam eles de ter suas doses de razão, porque a única segurança que se vê por aqui é quando alguns se agarram com segurança no que é nosso (dinheiro) e não largam.

A Câmara dos Deputados, por esta mesma e por outras razões inconfessáveis, também quer impedir a divulgação dos ganhos dos funcionários públicos, de empregados de estatais e parestatais, revogando a norma que estabeleceu esta obrigatoriedade sob o signo da transparência. Ofuscação é o mote centenário.

Afinal, foi estarrecedor descobrir que, em funções que exigem apenas saber ler e escrever (quando sabem), há funcionários em casas legislativas ganhando até cinqüenta salários mínimos por mês… Esses são os pequenos, imagine-se os outros.

Em municípios onde a miséria é o que mais se destaca, há administradores desviando quantias inimagináveis para os próprios bolsos ou da parentela.  Imagine-se, então e se possível, o que não ocorre em municípios onde a fartura de dinheiro público é incontestável e as obras públicas são o que há de mais ou menos sólido.

Se levarem a coisa a sério, contratarem julgadores e executores independentes e a carroça continuar nesse mesmo andar, vai acabar não tendo do lado de fora, quem feche o cadeado da cela.

Em Anápolis, na Base Aérea, gastaram-se dezesseis mil e trezentos reais com a compra de dois mil e setecentos quilos de ração canina; já tem gente dizendo que é uma cachorrada essa despesa.

Do jeito que vai a coisa, é capaz de gastarem uma fortuna com a compra de ração para pintos na Granja do Torto.

Vou terminando por aqui, enquanto dá tempo de tirar o meu da reta.

Tomara!

2 thoughts on “Ração

  1. Esta foi uma das leis necessárias. Pode não acabar com a cachorrada, mas pelo menos ficamos sabendo quem são os cães. Em Minas está havendo um alvoroço com a divulgação dos salários dos fiscais da Receita Estadual. Algo superior a 33 mil.
    Como não temos sorte com o servidor público, tenho medo que os que ganham menos, do nosso dinheiro, façam movimento para equiparação. Então o Estado quebra de vez! Pena que não existe mais espaço para uma revolução…

  2. Meu Caro Jansen, você tem razão, pois esta era mesmo uma lei necessária, mas colocou a matilha rosnando e preparando o ataque à responsável por ela (lei).
    Chego até a conjeiturar se, além do interesse em abafar o julgamento do Mensalãoooooo, a turba não estará em greve para desprestigiar a Presidente da República e colaborar com os deputados, que já se mexem para revogar a tal lei, tão incômoda. Quem sabe, até, essa orquestração não objetive retirar a atual Presidente, da disputa por sua reeleição…Afinal, a cria do General Golbery (bem preparada para abafar as greves no ABC) é um ser maquiavélico.
    Sindicalismo, nos últimos cinqüenta anos, virou sinônimo de trampolim político e a “encomendada” de oitenta e oito abriu as portas para o crescimento da baderna institucionalizada.
    E estamos (você e eu), aqui, falando apenas dos salários…Do oficial.
    Espaço para uma revolução até existiria, mas…Quem?
    Deixemos para lá as nossas inúteis conjeituras, porque o barco vai afundar sozinho…É só desprestigiar o comando e manter o resto da tripulação.
    Naufrágio à vistaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

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