50 anos sem Marilyn Monroe

Musa, Deusa do cinema, maior estrela hollywoodiana nos anos 50, quiçá de toda a história da sétima arte. Há exatos 50 anos dava adeus ao mundo Norma Jeane Mortenson ou, como ficaria mundialmente: Marilyn Monroe.

Natural de Los Angeles, nasceu em 1º de junho de 1926. De infância difícil, precisou viver em lares adotivos, lidar com a doença mental da mãe e crescer sem saber quem era o pai.

Atuou em vários pequenos filmes, posou nua para um calendário. Tornou-se imortal ao estrelar clássicos como ”Os Homens Preferem as Loiras”, “Como Agarrar um Milionário” e “Torrentes de Paixão” (os três de 1953), ”O Pecado Mora ao Lado” (1955) e ”Quanto Mais Quente Melhor” (1959) – este considerado, muitas vezes, a melhor comédia de todos os tempos.

Rotulada injustamente de loira burra, Marilyn buscou, ao longo da carreira, reconhecimento artístico. Não foi o tipo de estrela afetada, que se deslumbra facilmente com o sucesso. Chegou a deixar Hollywood e se mudar para Nova York, onde frequentou o respeitado Actors Studio.

Seu potencial dramático, no entanto, pode ser comprovado em filmes como “Almas Desesperadas” (1952) e “O Rio das Almas Perdidas” (1954), disponíveis em DVD.

Ditou a moda, foi imitada à exaustão. Executivos de estúdios concorrentes sempre buscavam encontrar a sua “Marilyn”. Em vão.

Casou-se muito jovem com um conhecido da vizinhança, onde encontrou lar e estabilidade, mas não a felicidade. Também foi esposa do dramaturgo Arthur Miller e amante de Frank Sinatra. No entanto, foi amada pelo ex-jogador de baseball Joe Di Maggio, com quem manteve um relacionamento complicado. Relatos dizem que ele a espancou mais de uma vez. Também foi ele, o único que, após a morte da estrela, continuou levando flores ao túmulo dela.

James Dougherty e Marilyn Monroe no dia de seu casamento, Los Angeles, 1942. Foto: Getty Images

Há quem diga que ela procurou, nesses relacionamentos, a presença masculina para preencher o vazio deixado pela falta do pai. Assediada por homens e mulheres, conviveu com a paixão obsessiva de uma professora de interpretação.

A morte de Marilyn, em 5 de agosto de 1962, aos 36 anos, até hoje é controversa. “Oficialmente” aconteceu em virtude de barbitúricos usados em excesso que ela tomava contra a depressão. Pode ter sido assassinada pela CIA, numa queima de arquivo, pois suas ligações comprometiam os irmãos Kennedy no poder.

http://www.youtube.com/watch?v=L3Z-hETm5IU Trailer de “Como Agarrar Um Milionário” 

O mistério em torno de sua morte e outros episódios, como o “Parabéns a você” cantado para o então presidente John F. Kennedy, e sua demissão da Fox antes do término das filmagens de “Something’s Got to Give” (1962, reconstituído anos depois), ajudaram a imortalizá-la.

Sentiu-se culpada pela morte de Clark Gable, com quem contracenou em “Os Desajustados” (1961). O astro sofreu um infarto no miocárdio. Marilyn achava que seus atrasos durante as filmagens contribuíram para o desgaste do colega.

No inacabado “Something’s Got to Give”

Quem deseja saber como foi a conturbada vida da estrela deve conferir a biografia A Vida Secreta de Marilyn Monroe, de J. Randy Taraborrelli. Praticamente toda a principal filmografia da atriz está disponível em home vídeo no Brasil. A data da morte, inclusive, marca o relançamento da caixa “Marilyn Monroe – 50 Anos”, com 13 DVDs. Há, ainda, o recente “Sete Dias com Marilyn”, no qual a musa recebe uma interpretação digna de Michelle Williams: a trama mostra os bastidores das filmagens de “O Príncipe Encantado” (1957), de Laurence Olivier.

Linda, sexy, chique, charmosa, voluptuosa, simples, boa atriz, triste, cativante, sensível, engraçada, leal. Não importam quantos adjetivos sejam dados, a complexidade de Marilyn Monroe jamais será compreendida totalmente. Assim como ninguém poderá substituí-la.

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

One thought on “50 anos sem Marilyn Monroe

  1. Belíssima lembrança. Queima de arquivo? Para muitos, sim. Quem deveria fazer um filme sobre ela é o Oliver Stone, que é um dos poucos que ainda tem coragem de descobrir sujeira sob o tapete. Já que levantou a lebre sobre JFK, poderia fazê-lo sobre MM. A TCM está exibindo hoje, desde às 14 horas, vários filmes dela. Mas liguei a TV e o canal está sem sinal. Mas cobrar eles cobram.

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