É brincadeira

O contraventor Carlinhos Cachoeira durante depoimento à CPI do Congresso Federal, em maio (Frame/Folhapress)

No Brasil não se leva nada a sério. Cada vez que assisto aos noticiários na TV, um sentimento de revolta toma conta de mim. Hospitais públicos sem a mínima infra-estrutura, onde a vida parece não ter valor algum. Escolas públicas, onde imperam ondas de violência e os professores não são valorizados. Alunos e Professores em greve nas Faculdades Federais. E por ai vai…

Em contrapartida, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas em 2016 são as prioridades
do momento. No Rio de Janeiro, a pista de ciclismo construída para os Jogos Pan-Americanos será demolida para a construção de uma outra que atenda às exigências do Comitê Olímpico Internacional.

Faz-se o evento RIO+20, e nada se resolve. Mais uma vez o erário público é desperdiçado. Milhões e milhões de reais indo ralo abaixo…

Enquanto se doa milhões de reais para Cuba, o povo brasileiro fica a mercê do descaso da administração pública nas três esferas do Poder. É a corrupção se alastrando por todos os lados… é o sarcasmo dos corruptos estampado em todos os veículos de comunicação. É brincadeira!

Do lado de cá, estamos nós, um povo dito pacífico. Aí me pergunto:

– Pacífico ou submisso?

Pacifismo tudo bem, porque sou contra a violência, mas submissão são outros quinhentos.

Aceitamos os desmandos como se fosse a coisa mais natural do mundo.  É CPI disso… CPI daquilo…. Para depois tudo terminar em “pizza” ou “cascata”, já que o Cachoeira é a bola da vez.

Para piorar mais ainda, somos um povo de memória curta, ou melhor dizendo, curtíssima. Os mesmos que cometem desmandos sempre voltam ao cenário político com o aval do povo.

Possivelmente eu não esteja mais por aqui quando terminar o período de cassação do Sr. Demóstenes, mas é quase certo, que até lá o povo já esqueceu o episódio, e ele volte ao poder, assim como ocorreu com outros.

Sinceramente?

No Brasil não se leva nada a sério…

Não é à toa que aos olhos do mundo o Brasil é o país do carnaval e do futebol.

É brincadeira!

Santista e faz poesia desde criança. Escreveu três livros: Mulher: Amor e Poesia, em 1986 (pelo qual ganhou o prêmio Robalo de Ouro Brasil 1989), Fragmentos & Mutações, em 1997 e Poesia a quatro mãos (2008), realizado em parceria com seu filho André. É admiradora do poeta e escritor J. G. de Araújo Jorge, e de autores como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles, Paulo Leminski, Mário Quintana, Fernando Pessoa, José Saramago, entre outros tantos. Entre os novos poetas, Pergentino Jr, poeta de Guarulhos muito talentoso, além dos santistas Valdir Alvarenga, Guida Linhares, Edilza de Souza Fernandes e Paulo Schiff. Amante da música, teve uma composição classificada entre as dez finalistas de um festival. Na Bienal do Livro do Sesc-Santos, Mulher: Amor e Poesia foi um dos livros mais vendidos entre os autores independentes. Amante das artes, atualmente exerce a atividade de artesã. Parte de seu trabalho pode ser conferido no blog. No CineZen, estará colaborando com poemas, crônicas, textos sobre os filmes que é apaixonada e apontando poetas que estejam despontando na cena literária.

2 thoughts on “É brincadeira

  1. Ao contrário do que você imagina, no país tudo é levado muito a sério e com consciência, tanto na esfera pública quanto na privada.
    Crescem livremente os desmandos e envidam-se todos os esforços para manter o povo na sua apatia usual, pois o que ele quer mesmo é futebol e carnaval. São os dois únicos momentos em que o povo participa, une-se e vai às ruas.

  2. Penso exatamente como você, Regina.
    Infelizmente 99% dos políticos não são patriotas, e o povo brasileiro se contenta com muito pouco, ou se acomodou num estado de escravidão – em troca de algumas migalhas, ou cestas básicas, aceita o que está aí. Tem vocação para cordeirinho, não protesta contra coisa alguma. O governo não investe em saúde, educação, 57% da população não tem saneamento básico. Cobra impostos que são uma verdadeira sangria no salário dos trabalhadores, mas esses parecem estar satisfeitos. Muitos intelectuais também aplaudem esses absurdos – disse Rui Barbosa:” Há tantas inteligências governadas por burros, que às vezes fico pensando se a burrice não é uma ciência”. Os mesmos corruptos se elegem porque a maioria da população é escravizada por eles e aceitam, outros votam porque tem cargos garantidos ou parentes empregados por eles. O que fazer quando a presidente da Petrobrás declara no Jô que o preço da gasolina é bem acessível? Ninguém respondeu para ela que a maioria das pessoas não ganha a fortuna que ela, uma incompetente que está lá por ser amiga da presidente, a gerentona que esbraveja sobre os juros altos e o PIB baixo, mas não faz nada para aumentá-lo e não baixa os impostos que crucificam os trabalhadores, comerciantes honestos e a indústria, que tem que pagar a conta desses infelizes que dilapidam a nação.

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