Fracasso de Público – Adeus, de Alex Robinson

“Muitas amizades, se chegam ao ponto em que terminam, não terminam em terremoto, mas em erosão. O tempo que passavam juntos, que normalmente você vê como algo natural, passa a ser algo que precisa ser agendado. Lentamente, você percebe que a intimidade que costumavam compartilhar se perdeu em algum lugar. Cada vez mais, só se fala do passado.”

O trecho acima é de Ed Velásquez em “Fracasso de Público – Adeus”, as últimas 204 páginas que a Gal Editora utiliza agora em 2012 para publicar a premiada história de Alex Robinson, que começou a ser desenhada e escrita quando ele tinha seus 20 e poucos anos nos Estados Unidos. O nome original é “Office Box Poison” e teve início na pequena editora Antarctic Press, para depois surgir como encadernado pelas mãos da Top Shelf.

Foi quando saiu pela Top Shelf que a história alcançou reconhecimento, prêmios e status. O crítico Matt Singer da Village Voice disparou que o autor era “o Robert Altman dos quadrinhos” e não é raro ver comparações com séries como Seinfield ou Friends. Mesmo dentro do exagero que toda comparação pode trazer embutida quando é proclamada, nesse caso específico até que isso não ocorre tanto, pois o trabalho é realmente bem singular.

Alex Robinson criou uma dezena de jovens adultos que em um determinado período da vida (semanas, meses, anos) se relacionam com amizade, amor e, claro, sentimentos menos nobres como desprezo e ódio. Esses personagens ganharam experiências do próprio autor, mas também de um mundo que durante os anos 90 sofreu a remarcação de alguns valores e a transformação crescente da maneira com que os relacionamentos se sustentavam.

Em “Adeus” as dúvidas sobre a vida que se quer levar e o caminho que é necessário ser escolhido não se extinguem. Pelo contrário, são majoradas com outras dúvidas mais urgentes ainda, naquilo que chamamos de crescimento. Mesmo Irving Flavor, o azedo e velho escritor que busca reconhecimento pela criação de um herói de sucesso, está cada vez mais em uma encruzilhada que não tem o poder de comandar, apenas de sucumbir.

Depois de “Heróis Mascarados e Amigos Encrencados” de 2009 e “Desencontro de Titãs” de 2010, a Gal Editora proporciona a chance de ver como o mundo tratou o futuro de Sherman, Ed, Jane, Stephen, Dorothy e os demais personagens que se envolveram no nosso dia a dia. Seus problemas e confusões são apenas reais e cotidianos, mas carregam algo de especial consigo, e por esse algo a mais o gosto que fica é de grande saudade.

Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *