O valor da vida

Sempre que há oportunidade ultimamente, trocamos impressões a respeito das possíveis razões de tanta violência doméstica, de tantos fatos chocantes acontecendo entre pais e filhos, mas as possibilidades são tantas que nos perdemos nesse labirinto das conjeituras.

Ficamos pensando se a história comportamental do homem nunca diferiu dessa de hoje e que a nossa impressão de recrudescimento da violência pode ser apenas o resultado da falta de informações em épocas passadas.

Não deixamos de lado sequer a possibilidade de o caminho dessa violência irracional ser resultado do consumo crescente de substâncias tóxicas, aliado à necessidade de meios econômicos para sustentar tais vícios.

Percorremos também os obscuros caminhos da influência dos meios de comunicação, que fazem uso das mensagens subliminares de práticas de comportamento pouco ortodoxas, induzindo imperceptivelmente ao caminho marginal.

Lembramo-nos da perniciosa e, com toda certeza, maléfica intervenção dos jogos violentos na formação – ou na deformação – do caráter dos jovens que os praticam com constância através das telas dos computadores.

Sequer deixamos de lado a patente possibilidade da imagem de violência desarrazoada em grande parte dos filmes, nas telas de televisão e dos cinemas.

Em todos esses caminhos de influência, a violência é a única trilha ou o único objetivo; então, o que esperar do comportamento desses consumidores de drogas tele-fabricadas?

A violência, apenas a violência crescente!

Foi esse o tema, e foram esses os caminhos abordados e discutidos, também, com a jovem funcionária da empresa de computadores, no sábado passado, pela manhã, enquanto eu aguardava a revisão da imprescindível máquina.

Meu neto mais velho é fervoroso adepto desses jogos de guerra na tela do computador ou dos desenhos animados que assombram a nós mais velhos, com a sua violência e sua falta de nexo. Preocupo-me, sim, e com todas as razões plausíveis. Por mais que se lhe ensine, o que será desse menino no futuro? Quais exemplos seguirá, com toda essa maléfica influência? Quais serão os fatores determinantes de seu comportamento?

Hoje pela manhã, enquanto de bom grado atendia a um pedido dele e jogávamos um jogo de cartas, que ele se propunha a me ensinar, acabei sendo obrigado a lhe mostrar a desnecessidade do caminho que seguia.

Era um jogo onde cada um dos participantes recebia um certo número de cartas e o segundo a jogar procurava suplantar o valor da carta daquele que o antecedera na jogada. Quem houvesse jogado a carta de maior valor pegava para si as duas cartas daquela jogada. Em dado momento, ele desnecessariamente, lança mão de uma carta de valor bem mais alto que a minha, quando poderia ter ganhado com uma carta de menor valor.

– Lucas, se você for matar uma formiga, faz isso com o dedo ou dá uma cadeirada nela?

– Vovô, não se esqueça que formiga também tem vida!

– Sim, você tem razão – diz o avô, desenxabido.

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